Cidades
Marcha dos sem-terra chega hoje ao Centro
Cerca de 2.500 trabalhadores rurais sem-terra deixam agora cedo as dependências do Campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no Tabuleiro, e se deslocam para a Praça Floriano Peixoto, também conhecida como Praça dos Martírios, no Centro. Eles iniciam a marcha às seis horas, e a previsão da coordenação do Movimento Sem Terra é de que cheguem à praça por volta do meio-dia. Os trabalhadores vão montar acampamento em frente ao palácio do governo, de onde só saem na quinta-feira à tarde, após ato público em que condenarão a violência no campo. Eles terão hoje, às 15h, uma audiência com o governador Ronaldo Lessa. Uma comissão formada por 25 lideranças da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) vai entregar a Lessa uma pauta de reivindicações com 13 itens. Eles pedem a liberação de técnicos para ajudar o Incra em vistorias e desapropriação, até a construção de creches e posto médico em assentamentos. Após a audiência no Palácio, os camponeses permanecem na Praça Floriano Peixoto. Amanhã, às 8 horas, eles seguem para a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) onde terão audiência com o supe-rintendente do órgão, o agrônomo Mário Agra. A ele, as lideranças também vão entregar uma pauta de reivindicações que inclui, desde a desapropriação de terras à liberação de recursos para os assentamentos. Ato público Depois da reunião no Incra, os sem-terra farão uma manifestação pública na Praça dos Martírios lembrando a passagem, nesta quinta-feira, 17, do dia internacional de luta contra a violência no campo. O coordenador nacional do MST em Alagoas, José Roberto da Silva, disse que o movimento e a CPT convidaram representantes políticos e religiosos para participarem do ato público, cujo início está previsto para as 11 horas. Eles condenarão, segundo José Roberto, a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a guerra no Iraque, o latifúndio e o assassinato de trabalhadores rurais. Haverá também uma celebração ecumênica. A pastoral da terra e órgãos estaduais garantiram infra-estrutura para permanência dos trabalhadores rurais, como fornecimento de água para consumo e cestas básicas. A marcha deve provocar um grande tumulto na Fernandes Lima, que será monitorada por policiais do PBTran. (BL)