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MST quer assentar dez mil fam�lias

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Cerca de 2.600 trabalhadores sem-terra estão em Maceió, desde a última terça-feira, e passaram a noite de ontem acampados na Praça dos Martírios. A manifestação faz parte da programação pela semana nacional de luta contra o latifúndio e em memória ao massacre de Eldorado de Carajás, no qual 19 trabalhadores sem-terra morreram durante confronto com a Polícia Militar do Pará. Os sem-terra vieram em marcha do município de Murici, de onde saíram, no dia 17, após a celebração de uma missa pelas mortes ocorridas no campo. Ontem, eles ficaram acampados na Praça dos Martírios e à noite foram para a Praça da Faculdade. Na programação de hoje, pela manhã os sem-terra têm uma audiência com o governador Ronaldo Lessa. O encontro está marcado para as 10 horas, no Palácio dos Martírios. Também na tarde de ontem, uma comissão dos trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) se reuniu com o superintendente do Incra em Alagoas, Mário Agra. Na pauta de reivindicações estão o assentamento de cerca de 10 mil famílias, desapropriação de áreas improdutivas, construção de casas com cisternas nos assentamentos já existentes, regularização das áreas de posseiros e infra-estrutura, e a contratação de novos técnicos para o Incra, com o conseqüente afastamento daqueles que estão envolvidos em denúncias, como a conivência com fazendeiros. ?Reforma agrária não é apenas dar terras, mas dotá-las de infra-estrutura (água, energia, educação, saúde, entre outros serviços), para que os trabalhadores possam viver com o mínimo de dignidade?, observou Walter Araújo, uma das lideranças da CPT. Ele explicou que os trabalhadores saem às 8h de hoje da Praça da Faculdade, em caminhada pela paz e pela dignidade no campo. Percorrem o centro da cidade e vão em direção ao Palácio do Governo. Segundo a assessoria de imprensa da CPT, o superintendente do Incra disse que se responsabilizaria pela parte de energia, água e estradas nos assentamentos. ?Ele disse que, no momento, é o que pode fazer. Também vai enviar solicitação a Brasília, para a liberação de recursos?, explicou a assessora Lilian Nunes. Ainda de acordo com ela, o Incra/AL se comprometeu a liberar, mensalmente, duas mil cestas básicas para os trabalhadores. ?Também solicitamos a liberação de leite para as crianças de até três anos, e para as gestantes. Sobre essa questão, o superintendente disse que vai verificar se há créditos para essas situações emergenciais?, disse Lilian, acrescentando que, na próxima sexta-feira, está prevista a chegada, em Maceió, de representantes da Superintendência Nacional do Incra, para uma reunião com Mário Agra e a comissão dos trabalhadores. (FM)

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