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Sem-terra enfrentam pol�cia em marcha pela paz

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FÁTIMA VASCONCELOS Houve momentos de tensão, ontem, quando os trabalhadores sem-terra chegaram na Praça dos Martírios, ponto culminante de uma caminhada realizada pelo Centro, iniciada na Praça da Faculdade. Ao se colocarem diante do Palácio dos Martírios, os manifestantes pediram a retirada da tropa da cavalaria da Polícia Militar. Como houve resistência, os sem-terra peitaram a tropa, invadindo a área onde estava a cavalaria. A atitude levou os militares ao recuo, deixando o espaço livre, o que evitou conflito. Ninguém saiu machucado, mas foi um susto para quem assistiu ao fato. Os sem-terra portavam foices, machados e outros instrumentos de trabalho. Eles vieram para Maceió na última terça-feira e, segundo um dos dirigentes da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima, apesar do incidente, o retorno aos acampamentos de origem ficou mantido para as 22 horas de ontem, quinta-feira. ?Não é fácil segurar quem está com fome de alimento e de justiça. Felizmente foi só um susto?. Carajás Portando as bandeiras do Brasil, MST, CPT e com faixas clamando pela paz, eles usaram a palavra, em seguida, enquanto uma comissão foi recebida em audiência pelo governador Ronaldo Lessa. Ao usar a palavra, as lideranças lembraram o massacre de El Dourado dos Carajás, ocorrido em 96; disseram que os militares são trabalhadores e deviam apoiar o MST; clamaram pela paz; fizeram uma breve retrospectiva sobre a trajetória da luta pela reforma agrária e cobraram das autoridades maior empenho nessa problemática social. Eles pediram desapropriação das seguintes áreas: Flor do Bosque, Boa Vitória, São Pedro, em Messias; Belo Horizonte, Amapá, Araguaia e Niterói, todas em Novo Lino; Santa Luzia e Papuã, em São Luiz de Quitunde; Ouricuri, em Atalaia, e Picos, em Piranhas. Também foi pedido construção de casas (com cisternas de placa) nos assentamentos em que não foram concluídas; regularização das áreas ocupadas por posseiros em São José, São João, Sítio Gordo, Serra da Imbira e Serra do Mulugu, em União dos Palmares. Com discursos inflamados, os sem-terra reivindicaram ainda convênio para assistência jurídica, construção de posto médico e infra-estrura nos assentamentos, cestas básicas, crédito de fomento, assistência técnica e liberação mensal de leite para as gestantes e crianças de três anos de idade. Segundo Carlos Lima, integrante da Pastoral dos Sem-Terra, a manifestação foi oportuna e produtiva.

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