Cidades
Rua Augusta se consagra feira em local privilegiado do Centro
FÁTIMA ALMEIDA Tomate, cebola, banana comprida, inhame, batata-doce, maracujá, pé-de-moleque, coco, jaca, limão, acerola, feijão... a Rua Augusta, famosa Rua das Árvores no Centro de Maceió, se transformou numa verdadeira ?feira de mangaio?, provavelmente com maior diversidade de oferta de produtos que a feira imortalizada na voz da saudosa cantora Clara Nunes, onde tinha de tudo, desde o fumo-de-rolo a cangalha. Os vendedores chegam cedo, antes de o Comércio abrir, com carroças, carros de mão, bancas, tamboretes e uma infinidade de apetrechos necessários ao dia de trabalho. Ocupam as calçadas, dificultando o passeio público, e parte da pista, prejudicando o trânsito já conturbado na área. Antes eles eram poucos. Alguns vendedores de água de coco; carrinhos de frutas de época, como acerola, goiaba e jaca e o comércio do caldo-de-cana. Depois foram chegando outros: o vendedor de feijão verde; o pastel; a banca de verduras; a macaxeira... e o comércio foi aumentando e ganhando aspecto de feira-livre. ?Já estou aqui há muito tempo. Esse é meu trabalho?, diz o vendedor Dorgival Santos. Segundo ele, dificilmente são importunados pelos fiscais da Prefeitura. ?Se eles tirarem a gente daqui, é besteira. A maioria acaba voltando, ou então o espaço é ocupado por outros, porque o comércio aqui é bom?, diz um vendedor. A maioria alega as dificuldades de sobrevivência e o desemprego como justificativa para a expansão do comércio informal. Um carrinho na Rua Augusta, na maioria dos casos, é a única fonte de renda de toda uma família. ?Estou desempregada, meu marido também. Tenho três filhos para criar. Se não ficar aqui, vou viver de quê??, indaga uma vendedora. A argumentação sustentada na difícil situação social será, com certeza, o principal apelo que a Prefeitura vai ouvir quando resolver acabar com a feira da Rua das Árvores.