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Lixo � respons�vel pelo sustentode 90 fam�lias em Arapiraca

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ELIANE AQUINO O lixo virou o único sustento de noventa famílias que vivem em barracos, no conjunto Mangabeiras, zona rural de Arapiraca. As quase 180 toneladas de lixo que são recolhidas por dia na cidade garantem um movimento de mais de R$ 4 mil por mês com a venda do material reciclável. E os catadores que estão se organizando através de uma associação já pensam em triplicar o faturamento e competir no mercado informal de compra e venda. A área destinada a receber de segunda-feira a sábado as 120 toneladas de lixo residencial e mais 60 toneladas de lixo hospitalar e entulhos fica próxima aos barracos dos catadores, a maioria deles analfabeta. É lá que eles reciclam o material e passam para os atravessadores a um custo mínimo de mercado, tomando como base a unidade ou o metro. Plásticos e metais são os mais visados pelos catadores, que trocaram o nome lixo por ?material reciclado?. De Serra Talhada, em Pernambuco, João José da Silva, 64, acabou em Arapiraca, há um ano e meio, com a esposa, cinco filhos e um neto. Entre o lixo, ele cata pedaços de pau, lenha e madeira que vende a R$ 6,00 ou R$ 7,00 o metro. Na sua cidade, arrumou o que chama de ?bronca?. Segundo João, ele deixou Pernambuco para não matar, nem morrer. ?Queimaram a cerca da minha casa?, justifica. No conjunto Mangabeiras, construiu seu barraco, acomodou a família e juntou-se aos outros catadores. Seu João virou até fornecedor de lenha para padarias. Ele também faz carvão e vende madeira para a fabricação de cangalhas (armação para sustentar a carga das bestas, metade para cada lado). Mas o faturamento é pouco. Por semana, a venda nunca ultrapassa os quatro metros de madeira. ?É a feira?, vai logo esclarecendo. Já o mau cheiro do lixo é só uma questão de adaptação. ?Estou acostumado?, garante. ?Afinal, é daqui que ganho o pão?, acrescenta. Há dois anos e meio que o pessoal do lixão de Mangabeiras está tendo uma atenção especial da Pastoral da Criança, da Prefeitura Municipal de Arapiraca e da CNBB, através da ONG Cáritas. A idéia básica é criar uma Associação de Catadores de Lixo Reciclado e dar condições para que eles qualifiquem o trabalho. O empresariado do município construiu uma escola na localidade e a Secretaria Municipal de Educação disponibilizou toda a infra-estrutura. Segundo o presidente eleito da Federação das Associações Comunitárias de Arapiraca, Ronaldo Oliveira, é preciso construir um galpão para guardar o material, já que hoje o que é retirado do lixão é colocado junto aos barracos, sem nenhuma proteção. ?Também evitar atravessadores, organizando os catadores para que a produção seja repassada diretamente ao comprador?, explica. Cadastrados pela Secretaria Municipal de Limpeza Pública são 74 catadores, mas a lista da associação já tem 86 nomes.

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