Cidades
Alagoas n�o preserva s�tios arqueol�gicos
Os sítios arqueológicos de Alagoas estão abandonados pelo poder público. A denúncia é da arqeóloga Marisa Beltrão, da Universidade Federal de Alagoas, segundo a qual Alagoas não tem demonstrado interesse pelo rico patrimônio pré-histórico que se encontra, sobretudo, no Sertão. Ela lembra que desde o período em que foi iniciado o projeto Xingó, Alagoas não demonstrou interesse e não atendeu às expectativas da Chesf, deixando de dar a contrapartida necessária a um projeto de preservação, o que permitiu a evasão de parte de seu patrimônio para Sergipe. Ela diz que há exemplos gritantes de como o patrimônio de Alagoas se transfere para o Estado vizinho, e isso inclui a área arqueológica e paleontológica. ?É inadimissível que isso continue acontecendo. Se na época não houve uma mobilização do Estado em relação a isso, hoje nós temos de reaver, oferecer a contrapartida do Estado?, diz a arqueóloga. Segundo ela, o solo alagoano é riquíssimo em matérias que comprovam a presença milenar de animais extintos. ?Há regiões, como Maravilha, que estão sendo estudadas inclusive por um paleontólogo do Museu de História Natural da Ufal, para um projeto piloto de interesse, sobretudo, na área de estudos paleontológicos e arqueológicos?. Marisa Beltrão alerta que não é só o Estado de Sergipe que tem demonstrado interesse nas riquezas pré-históricas do território alagoano. ?Há outros estados, como Pernambuco, começando a adentrar em Alagoas, porque nós não temos equipes e nem incentivo para realizar esse trabalho; temos pessoas interessadas, alunos e professores da Ufal, mas falta infra-estrutura, falta parceria?, diz. Ela ressalta, também, que essa falta de entrosamento compromete o patrimônio histórico do Estado e trabalhos como a revitalização de Jaraguá. ?Não foram obedecidas algumas questões em relação à preservação patrimonial e um exemplo disso é o Museu da Imagem e do Som. A estrutura revitalizada deu uma fachada nova, mas a funcionalidade do museu continua à revelia. As imagens que lá estão continuam encaixotadas, o laboratório não existe, e ele é necessário, porque o acervo tem de passar por um trabalho de preservação e conservação?, conclui Marisa Beltrão.