loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Rotina hostil leva servidores a adoecer

Ouvir
Compartilhar

Dados da Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) revelam que, atualmente, mais de 300 servidores públicos estaduais estão afastados das funções porque adoeceram, a maioria deles desenvolveram transtornos psicológicos. Desse total, cerca de 200 são oriundos da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e outros 105 da Saúde. O ambiente de trabalho empurra servidores públicos das áreas da saúde e da educação para uma rotina hostil. Funcionários doentes e afastados das atividades. Esse é o resultado de horas dedicadas a ensinar e acolher jovens que salivam violência desde o café da manhã, em escolas encravadas no fogo cruzado do tráfico de drogas. Sofre e adoece também o profissional que vive para tratar alagoanos inconformados com o atendimento precário nas unidades de saúde, sobrecarregadas com tantos pacientes, poucos funcionários e castigadas pelo assédio moral que cala a boca de quem definha no ambiente de trabalho. Ainda de acordo com a Seplag, em geral, os servidores da Educação solicitaram afastamento em decorrência de problemas musculares e transtornos psicológicos e, no caso dos funcionários da Saúde, predominam às doenças relacionadas aos transtornos mentais. O cirurgião-geral Marcos Holanda é presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed) e confirma o clima tenso em muitas unidades de saúde, especialmente aquelas que atendem casos de emergência. ?Dentro de hospitais como o HGE e hospitais privados sempre há discussões e ameaças. Quando é no hospital privado falam logo assim: ?quem paga aqui sou eu. Vocês têm que me atender?, conta o presidente do sindicato. SOBRECARGA Em unidades de emergência, de acordo com Marcos Holanda, o atendimento a pacientes que apresentam quadros variados que vão da doença crônica à embriaguez, deixa o profissional em situação vulnerável. ?Às vezes a gente lida com quem usou droga, gente que chega embriagado. Sempre tem discussão, mas, sem dúvida que na emergência é sempre mais. A pessoa chega e quer ser atendido de imediato. E às vezes a culpa não é do médico?, relata Holanda. A rotina tensa no atendimento é agravada pela grande demanda de pacientes com problemas ?mais simples? que poderiam ser resolvidos em unidades básicas, mas que acabam indo para hospitais de grande porte, misturando-se a situações complexas. ?O problema é que chega na emergência uma grande quantidade de pessoas que não precisariam ir para lá. Não tinha necessidade de emergência, mas querem ser atendidos. Muitas vezes superlota as emergências sem uma necessidade real. Tem gente que chega às vezes para tomar uma dipirona, que poderia ter sido em outra unidade ou até mesmo numa farmácia. Muita coisa que os municípios não assumem e sobrecarrega a gente?, explica Marcos Holanda.

Relacionadas