Cidades
Membros de grupos criminosas são isoladas em presídios de AL
Em pelo menos três presídios alagoanos há forte presença de duas facções criminosas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Seus integrantes estão isolados em unidades e módulos distintos, uma forma de evitar confrontos e ameaças. A Penitenciária de Segurança Máxima (PenSM), a Casa de Custódia da Capital (Cadeião) e o Presídio do Agreste ? os dois primeiros em Maceió e o segundo em Girau do Ponciano ? têm em suas carceragens presos perigosos, que se declaram ligados às organizações. O levantamento sobre as facções criminosas e seus representantes recolhidos no sistema prisional é do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas (Sindapen) e aponta, também, que na Penitenciária de Segurança Máxima (PenSM) estão integrantes do PCC e do CV, já no Cadeião estão apenas do PCC e, no Agreste, há presos dos dois grupos. Com uma população carcerária de mais de 4, 7 mil recolhidos nas unidades prisionais e um excedente de mais de mil, os presídios de Alagoas estão abarrotados. Um cenário propício para motins, fugas e acirramento entre membros de facções criminosas. Projeto aprovado em 2017 pelo Senado reformula a Lei de Execução Penal e tenta saída para os entraves do sistema penitenciário, mas ainda aguarda apreciação pela Câmara dos Deputados. A Gazeta de Alagoas conversou sobre o assunto com autoridades que conhecem a realidade dos presídios. Um deles é o juiz da Vara de Execuções Penais, José Braga Neto. ?Até agora a situação do sistema prisional alagoano está sob controle, mas isso é imprevisível. Todas as unidades aqui estão superlotadas. Têm as casas de custódia que estão prontas, mas ainda não são utilizadas. A entrega iria desafogar essa situação. Cyridião Durval está muto cheio, Baldomero está muito cheio, PSM 2 está muito cheio. Nenhuma unidade está equilibrada?, explica o magistrado. Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais, ?ninguém pode negar a existência das facções criminosas, o Estado reconhece isso, então divide por facção nas unidades. Tem que haver equilíbrio, porque se misturar pode ter problema?, diz ao ser questionado sobre a situação no Ceará, que vive semanas seguidas de ataques promovidos pelo crime organizado.