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Burocracia atrasa ajuda humanitária

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A pressão de quem mora em uma das 490 unidades habitacionais da área vermelha do bairro do Pinheiro pela liberação de ajuda humanitária de R$ 900, referente a aluguel social, é forte, mas enfrenta resistência das burocracias de órgãos federais, estaduais e municipais. Até agora, só houve liberação para moradores de 80 imóveis da área mais crítica. Mesmo sem receber a ajuda do governo federal, via prefeitura, há muita gente deixando os imóveis espontaneamente e com medo de prejuízos maiores. Mesmo assim, os moradores cobram resposta para o problema que aumenta e esvazia o bairro a cada momento. Técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirmam que as rachaduras nas ruas e nos imóveis estão aumentando. As causas ainda permanecem indefinidas e só serão conhecidas nos próximos 60 dias, quando alguns estudos de profundidas de solo, de batimetria no fundo da lagoa Mundaú, das 35 cavernas de exploração de sal-gema da Braskem, da rede de abastecimento de água e da situação das galerias de água da chuva da prefeitura, estiveram concluídos. Os principais suspeitos de envolvimento com os tremores, afundamento do solo e rachaduras nos imóveis se defendem e discretamente trocam acusações mútuas. Todos trabalham com equipes próprias para provar isenção nos problemas geológicos naquele bairro de classe média da cidade. A Braskem prometeu à Justiça e ao Ministério Público Federal e estadual a conclusão de estudos por empresas contratadas que comprovariam que os poços e as cavernas de salmoura estão intactos. Mesmo assim, a indústria desativou os sete poços de exploração (cinco deles estavam parados havia mais de dez anos) do bairro. Entretanto, continua explorando em quatro poços que ficam em áreas distantes do Pinheiro. Cada poço extrai 400 metros cúbicos por segundo de salmoura. A empresa suspeita de que os problemas geológicos estejam relacionados a vazamentos de outras tubulações ou galerias. A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), segundo o presidente Clécio Falcão, não tem o controle das galerias pluviais. Isso é da prefeitura de Maceió. ?No bairro do Pinheiro, a Casal tem apenas a rede de água potável que abastece a população?. De acordo com o presidente da Casal, a empresa enfrenta problemas geológicos que causaram vazamento nos canos, que sentiram o impacto e foram estendidos. ?Estamos fazendo todo o levantamento da rede para detectar vazamento não visíveis?. Para isso foi montada uma equipe especializada que usa geofones para localizar supostos vazamentos e imediatamente solucionar o problema. Mesmo assim, a Secretaria de Infraestrutura do Estado vai iniciar um levantamento geral para, junto com a Casal, construir um sistema de drenagem e de esgoto no bairro. A determinação é do próprio executivo, em reunião no quartel do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, que também fica próximo às áreas críticas do Pinheiro, mas não apresenta nenhuma anormalidade.Casal, Braskem e Prefeitura aguardam relatórios dos órgãos federais que investigam o problema. A Justiça e o Ministério Público também, para cobrar responsabilidade e possível indenização das famílias prejudicadas.

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