Cidades
Volta do eletrochoque é motivo de preocupação

A professora e pesquisadora Mara Cristina Ribeiro, da Uncisal, lembrou que, na década de 1970, existia uma expressão conhecida entre os profissionais: indústria da loucura. ?Numa época, a previdência passou a subsidiar o tratamento psiquiátrico aos trabalhadores, que antes não tinha. Antes era só hospital público que tinha dinheiro. Quando a previdência passa a subsidiar os donos de hospitais com outras patologias, passaram a se interessar em ampliar vagas para leitos psiquiátricos, porque o leito psiquiátrico é um leito barato para se manter?, explicou. Com o movimento da reforma psiquiátrica, esses hospitais passaram a ter menos lucro, por isso nas décadas de 60 e 70 foi muito lucrativo ter hospital psiquiátrico, porque gastava-se muito pouco e o retorno era fácil. É muito fácil você manter uma pessoa internada durante dez anos sem nenhuma queixa porque a família não se sente preparada para cuidar dele? . Mara Cristina diz que muitas vezes a família não está preparada para olhar as potencialidades da pessoa com problemas psiquiátricos. Sempre foi olhado como inútil. ?A política da década de 80, 90 e até agora priorizava o tratamento na comunidade. Os hospitais psiquiátricos deixaram de ter essa centralidade no cuidado, então tinha-se o estímulo para que houvesse abertura de serviços não hospitalares. Tanto que o Hospital Portugal Ramalho, o José Lopes e Ulisses Pernambucano (hospitais psiquiátricos), na época, diminuíram o número de leitos para manter a lucratividade. A preocupação dos hospitais, principalmente os hospitais privados conveniados ao SUS, é financeira. Temos uma lei é a 10.2016 de 2001, conhecida como lei da reforma psiquiátrica e essa nota técnica vai contrário a isso que a gente tem trabalhado e que tem se mostrado uma forma de você incluir essa pessoa?, explica a professora.