Cidades
Em 4 meses, clonagem de cartão fez 200 vítimas
O cartão de crédito não é apenas a principal ferramenta de endividamento da população brasileira, virou alvo preferido dos criminosos. Em menos de quatro meses de 2019, cerca de 200 pessoas foram vítimas desse tipo de golpe em Alagoas, uma média de mais de um caso por dia. Os dados são do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/AL) e servem de alerta sobre um dos meios mais utilizados para pagamento. Um levantamento divulgado este mês pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 8,9 milhões de brasileiros foram vítimas de fraude nos últimos 12 meses. Grande parte dessas ocorrências, 41%, está ligada à clonagem de cartão de crédito. A Gazeta de Alagoas conversou com Francisco Malaquias Neto, coordenador jurídico do Procon/AL e perguntou sobre o perfil das vítimas preferenciais desse tipo de golpe em Alagoas. ?Em relação ao público-alvo, verificamos que a maioria das reclamações envolve o público idoso, principalmente pelo descuido com as informações de segurança perante golpes e fraudes?, disse o coordenador. Na avaliação de Francisco Malaquias, ?a prática de clonagem de cartão de crédito está bastante recorrente perante as inúmeras fraudes contidas no comércio digital, tendo em vista a falibilidade dos sistemas na segurança das informações dos usuários, bem como aproximação das práticas fraudulentas com a realidade, uma vez que os métodos utilizados são bem articulados pelos criminosos?, explica. ?SEM SOSSEGO? Rosa Maria dos Santos tem 42 anos e recebe um salário mínimo por mês. Mesmo com a renda baixa, há mais de dez anos tem um cartão de crédito que sempre usou de forma comedida. No início de abril deste ano tomou um susto. A fatura do mês ultrapassava os R$ 3 mil. Isso nunca tinha acontecido. ?No dia 4 recebi a fatura e quando fui olhar o valor era de R$ 3.455, 00. Vi que tinha compras que eu nunca tinha feito, que eu jamais faria?, narra Rosa, que trabalha como diarista. Ela disse que foi a primeira vez que foi vítima de um golpe e ainda não se recuperou. Já buscou ajuda, mas teme ficar negativada no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). ?Fiz o Boletim de Ocorrência na polícia e depois fui no Procon, no dia seguinte que recebi a fatura. Sempre controlei os gastos. Fizeram várias compras, com vários valores. Fui no banco e disse que não reconhecia as dívidas. Mesmo assim ainda não resolveram essa questão?, afirma. Rosa Maria esperava uma fatura com valores menores este mês porque tinha terminado de pagar parcelamento de compras realizadas com o cartão de crédito. ?Espero que o Procon resolva para, pelo menos, eu limpar meu nome que deve ficar ?sujo?. Não tenho condições de pagar esse valor, sou doméstica e ganho só um salário mínimo. De lá para cá nunca mais eu tive sossego na minha vida. É horrível?, lamenta. Relatos são comuns no Procon Maceió Leandro Almeida, diretor-executivo do Procon Maceió, lembra que muitas vezes o consumidor e o próprio Procon não têm como afirmar que trata-se de clonagem, uma vez que compras (não reconhecidas pelo consumidor) são tratadas como cobrança indevida. ?Nestes casos pedimos aos cartões a desconsideração da compra e caso o consumidor tenha pago, pedimos a devolução em dobro, por entender a cobrança indevida?, conta Almeida. O diretor-executivo do Procon lembra ainda que os relatos de vítimas que tiveram cartão de crédito clonado são comuns no Procon Maceió. ?Para evitar, o consumidor primeiro deve sempre conferir sua fatura e identificando alguma compra não reconhecida informar imediatamente a administradora do cartão para ? em caso necessite ? haja o bloqueio e a substituição do cartão. Lembrando que o consumidor não deve pagar as compras não reconhecidas?, informou Almeida. De acordo com ele, quanto às vítimas, percebe-se que estão sujeitos aos golpes os consumidores que mais utilizam o cartão de crédito como forma de pagamento e principalmente em compras pelo e-commerce. ?E assim, neste último caso o cuidado também do consumidor em comprar em sites de confiança e com certificado de segurança?, finaliza o diretor-executivo do Procon Maceió. Para evitar que mais alagoanos se tornem vítimas do golpe, o Procon/AL dá dicas. O consumidor deve buscar instituições financeiras que ofereçam segurança e medidas que evitem a ocorrência de fraudes nos cartões de crédito, além de prestar um atendimento célere e eficiente quando inevitavelmente isso venha a ocorrer. Há ainda dicas preventivas. Antes de fazer qualquer compra, segundo o Procon, deve-se certificar sobre a idoneidade do estabelecimento comercial. Pesquise sobre a reputação da empresa, redobre atenção em sites de comércio eletrônico e busque realizar compra diretamente nos sites oficiais, evitando o acesso aos anúncios avulsos existentes na rede. Os canais de venda virtuais são obrigados a fornecer dados, como razão social, endereço, telefone e CNPJ. Também desconfie de produtos com preços muito abaixo do praticado pelo mercado e sempre exija nota fiscal. Essas atitudes resguardam o consumidor, caso ele tenha que fazer uma eventual troca do produto, solicitação de ressarcimento ou qualquer reclamação administrativa/judicial. Segundo o Procon/AL, não se deve fornecer dados pessoais ou bancários por telefone. Caso deseje atualizar seu cadastro, procure pessoalmente a instituição financeira e, em caso de perda, roubo, furto ou extravio de documentos pessoais, como CPF, CNPJ, certidão de nascimento, cheques e cartões de crédito, é necessário que a vítima realize o Boletim de Ocorrência, para que se resguarde de eventuais compras indesejadas no cartão de crédito. RC Leia mais na página C5