Cidades
Crise empurra famílias para moradias precárias
A crise econômica nacional que se agravou a partir de 2014 deixa mais de 13 milhões desempregados, e a economia se mantém recessiva. Por isso, aumentou o crescimento urbano desordenado na maioria das 5,5 mil cidades brasileiras. Áreas públicas ? morros, grotas, áreas de preservação de proteção ambiental ? são invadidas por famílias que não conseguem pagar aluguel. O carroceiro José Inácio Santos da Silva, pai de cinco filhos, há quatro anos mora com a mulher e as crianças menores de 16 anos num barraco improvisado numa área fétida de mangue, na margem da lagoa Mundaú, onde funcionava o porto da balsa que fazia o trajeto Coqueiro Seco-Maceió. ?Eu pagava R$ 400 de aluguel na rua Formosa, no bairro da Ponta Grossa. Fiquei desempregado. Tive que improvisar um barraco de madeiras velha e lona nesta lama, para não ficar na rua com a família?, desabafou o carroceiro, que ganha menos de R$ 500/mês catando papelão, latinhas e fazendo pequenos biscates. ?A maioria dos meus dez vizinhos ficou desempregado e veio morar aqui na beira da lagoa?, confirmou José Inácio. No Nordeste, as invasões de áreas públicas se multiplicam. Em Maceió, não é diferente. O serviço de fiscalização da prefeitura trabalha de forma integrada com outros órgãos municipais, participa de encontros regionais e tenta encontrar soluções para a crise habitacional que afeta os mais pobres. As invasões acontecem na maioria dos bairros periféricos, geralmente por famílias de desempregados e de trabalhadores rurais do Sertão que fugiram da seca e vieram em busca de novas oportunidades. Esse é o perfil da maioria das famílias que mora nas favelas do Benedito Bentes, das grotas da Pescaria, Saúde e das margens da Lagoa Mundaú. Em 2017, a cidade sediou o Encontro Regional de Fiscais de Atividades Urbanas (Erefal) onde as Secretarias Municipais de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente discutiram e demostraram as preocupações com a ocupação desordenada, as construções clandestinas e com a proliferação do comércio de ambulantes. As soluções passam pela retomada do crescimento econômico.