Cidades
Divisão das terras da Laginha depende de acordo
O futuro de parcelamento de terras da massa falida Laginha vai depender, também, da maturidade da direção dos movimentos sociais, acredita o desembargador Tutmés Airan. As famílias dos sem terra que não quisessem participar do consórcio para reativar a destilaria Laginha ficariam com faixa de terras destinadas à produção de frutas. Essa matéria-prima seria, segundo o desembargador, processada na Cooperativa Pindorama. O que está emperrando, de acordo com o presidente do TJ, é a definição dos movimentos sociais. Como Airam há mais de 30 anos é ligado aos movimentos sociais, ele não esconde a simpatia pela retomada do processo de reforma agrária no País e particularmente em Alagoas. ?Os movimentos dos trabalhadores rurais precisam aproveitar este momento em que estou na presidente do Tribunal de Justiça para desenvolver a ideia da produção diversificada nas terras em União dos Palmares. O governo do Estado também é sensível a causa. Neste momento, é preciso abrir mão e algumas coisas e avançar no projeto de parcelamento de terra para reforma agrária?, recomenda Airan. O presidente do TJ quer contribuir com a aceleração e legalização dos futuros assentamentos nas terras da usina do grupo JL e trabalha para promover o diálogo entre os principais atores deste processo. ?Me comprometo a trabalhar pelo convencimento do governador Renan Filho, no sentido de incentivá-lo a investir financeiramente no projeto de reforma agrária de União, no convencimento dos próprios movimentos sociais, no convencimento dos cooperados da Pindorama?, assegurou. Na verdade, não há nenhum dois setores contrário ao projeto macro de reforma agrária neste trecho da Zona da Mata. A única resistência é dos movimentos de sem-terra que não têm definições a respeito de retomar a cultura da cana, também em relação à divisão de lotes entre eles e de projetos agrícolas para a área. ?Se a gente fizer de Laginha uma pequena Pindorama, teremos um futuro extraordinário com produção de riqueza rural, com geração de trabalho, renda e com condições de movimentar a roda da economia nesta região?. Em tom de sinceridade, o desembargador disse que ?não é possível transformar as terras da Usina Laginha numa favela rural. A área precisa voltar a produzir culturas diversificadas e dentro de um processo de parcelamento razoável para a produção agrícola?. Os 11 mil hectares da usina falida estão ocupados com agricultura artesanal de subsistência. A grande dúvida das três mil famílias acampadas é com relação à possibilidade de todos serem obrigados a sair das terras diante de um processo de tomada judicial. Sobre isso, o presidente do TJ observou que as terras da usina pertencem à massa falida. ?Há um compromisso do governo estadual de comprá-las. Essa compra será feita através de abatimento de débitos. Como o grupo João Lyra deve muito em impostos, a ideia é fazer o encontro de contas. Há esse compromisso do Estado e em seguida passar as terras para os movimentos sociais. O que falta definir é como as terras se tornem, realmente, produtivas, gerem empregos, rendas e aqueça a economia?.