Cidades
Maceió é a capital do Nordeste com mais casos de hipertensão
Onde há pobreza, não há alimentação adequada nem atendimento público eficaz de saúde. Onde há pobreza, a doença se instala. Esse é o caso de Maceió, a capital com maior prevalência de casos de hipertensão arterial no Nordeste e a segunda no Brasil. As informações são do Ministério da Saúde. Em maio deste ano, dados oficiais mostraram que, no ano passado, 24,7% da população brasileira que vive nas capitais afirmaram ter a doença. As capitais que despontam são Rio de Janeiro (31,2%), Maceió (27,1%) ? o que corresponderia a um contigente de 271 mil pessoas ?; João Pessoa (26,6%); e Vitória (25,2%). E as com menores índices: São Luís (15,9%); Porto Velho (18,0%); Palmas e Boa Vista (18,6%). Em 2017, também segundo o MS, o Brasil registrou 141, 8 mil mortes devido à hipertensão ou a causas relacionadas a essa patologia. Ainda de acordo com o MS, todos os dias 388,7 pessoas morrem por causa da pressão alta, perfazendo 16,2 óbitos a cada hora. Grande parte dessas mortes poderia ter sido evitada. POBREZA ?A população entende a questão da alimentação, mas há a dificuldade de acompanhamento com cardiologista principalmente na rede SUS e isso dificulta o êxito do tratamento?, afirma o cardiologista Pedro Henrique Albuquerque. ?Mais de 90% da população de Alagoas não tem plano de saúde e nós moramos num estado pobre que não tem condições financeiras de dar acompanhamento a essa população?. Albuquerque diz que a hipertensão arterial é endêmica no Brasil e no mundo e, principalmente, em Alagoas e pode causar doenças graves como AVCs, infartos e problema renal. ?Se a gente não tratar a hipertensão, ela vai causar doenças graves para o paciente e será um problema para o sistema de SUS?. O cardiologista reforça que há uma relação entre hipertensão arterial e pobreza, já que o baixo poder aquisitivo não permite cuidados com a alimentação, fundamental para o controle da pressão alta. ?Infelizmente, com o poder aquisitivo baixo não se consegue ter uma alimentação adequada, geralmente é mais rica em sódio, porque os alimentos que contém sódio são enlatados com validade mais longa. Outra coisa é o acesso ao tratamento médico e à informação, infelizmente?, explica. Albuquerque acrescenta que moramos num estado com grande dificuldade de acompanhamento médico.