Cidades
PRISÃO DE INOCENTES EM ALAGOAS REVELA FALHAS E PRECIPITAÇÃO

Falha na investigação pode levar inocentes para a cadeia; precipitação por resultados na segurança pode pôr fim à liberdade; falta de aparato policial pode transformar vidas em sofrimento; pressão da sociedade pode culminar na condenação de quem não é criminoso. Todos os dias, pessoas são despejadas nas carceragens do Brasil porque são apontadas em crimes que não cometeram. Um idoso sergipano benquisto em Arapiraca foi parar atrás das grades por um crime grave. Foi preso, apanhou na cadeia e após uma semana ganhou liberdade. Para a Defensoria Pública, uma sucessão de erros levou o treinador de escolinha de futebol Ivanildo Nunes da Silva, 73 anos, ao fundo do poço: foi acusado de abuso sexual contra crianças. Um pedófilo. Para o defensor público André Chalub, que atua em Arapiraca, a prisão de inocentes deve-se muito à precipitação da polícia e à falta de preparação dos profissionais da segurança pública. O mais grave, em sua opinião, é que o alvo preferencial desse tipo de ?erro? é o cidadão carente. ?Aconteceram dois casos recentemente em Feira Grande e Arapiraca, nos quais as denúncias foram precipitadas, porque o órgão que deveria fiscalizar a atuação da polícia também falhou. Gera uma linha de erros, incluindo a polícia, o Ministério Público e a Justiça?, lamenta Chalub. A Gazeta pergunta ao defensor como confirmaram que o Ivanildo tinha sido preso injustamente. ?Logo após a prisão, diversos desportistas foram manifestar que não acreditavam naquela afirmação. Ele tem décadas de trabalho no esporte em Arapiraca, ninguém acreditava que aquilo fosse verdade. Foi o primeiro indicativo?.