Cidades
Barragens subterrâneas desafiam a indústria da seca em Alagoas

A estiagem prolongada, que deixa mais de 500 mil pessoas com sede, ainda é um grande negócio para muitos donos de carros-pipa em Alagoas. Até 18 de junho, o governo federal repassa à Defesa Civil estadual R$ 5 milhões para pagar o frete de 110 carros-pipa. Isso sem contar o pagamento de mais 150 caminhões fretados pelo Exército. Também não está computado aí o pagamento de veículos contratados por mais de 30 prefeituras de Sertão. Tudo isso pode mudar. Três projetos estão em andamento em Alagoas para libertar os sertanejos dessa indústria secular, já que a maioria dos caminhões pertence a políticos e/ou a seus parentes. O projeto mais novo e mais barato em andamento é a barragem subterrânea, que está modificando o cenário árido das áreas rurais distantes dos mananciais. Entre os projetos de combate à indústria fomentada pelas longas estiagem, a construção do Canal do Sertão, capitaneada pelo governo do Estado e financiada pelo governo federal, é a estratégia bilionária. Já recebeu mais de R$ 2,5 bilhões. Dos 250 quilômetros do rio artificial que capta água do rio São Francisco em Delmiro Gouveia e leva até Arapiraca, estão prontos 110 quilômetros. A água já chega ao município de Igreja Nova. Por falta de fiscalização, parte dela é roubada e vendida por alguns caminhoneiros por até R$ 200 (8 mil litros). Ainda não há data de conclusão do canal que começou em 1990.