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Após luto, Adefal recomeça sem mentor

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Em Alagoas, mais de 452 mil pessoas têm algum tipo de deficiência física. O número ultrapassa 16% da população, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e atropela a média brasileira, de 14,5%. Do total, 32 mil circulam, toda semana, nos corredores da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal). Nossa demanda é grande por causa da omissão do governo. ### No complexo, atendimento é igualitário Carla Serqueira Repórter Quem transita pela Rua Clementino do Norte, no Farol, ao lado do Cepa, onde está instalada a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal), percebe o intenso movimento de pessoas com deficiência física, fazendo malabarismo para vencer a irregularidade das calçadas em muletas ou cadeiras de roda. Dentro do prédio, um labirinto de consultórios. Não existe idade e nem classe social definida entre os usuários. ### Esperança é renovada a cada semana Longe da morosidade do poder público, com seus postos de Saúde precários e lotados, é na Adefal, organização sem fins lucrativos, onde a esperança de muita gente é renovada, de segunda a sexta, das 8h às 18h. Jaciete da Silva, 22 anos, professora de uma turma de crianças em Ibateguara, é um exemplo. Semana passada, ela retomou as sessões de fisioterapia e as conversas com a psicóloga. ### SUS, empresas e doações mantêm Adefal A Adefal movimenta cerca de R$ 300 mil por mês. Verba do Sistema Único de Saúde (SUS), em torno de R$ 200 mil é investido em consultas, salários e manutenção do prédio. Outros R$ 50 mil chegam todos os meses para aquisição de cadeiras de rodas, pernas mecânicas, andador, entre outros. O centro de reabilitação auditiva, que no último dia 16 se tornou referência em alta complexidade, vai receber cerca de R$ 40 mil mensais. ### Indefinição sobre sede impede parcerias Outro embate da Adefal é com o Estado. Há 26 anos a entidade espera a escritura do terreno, cedido em comodato. A presidente da entidade, Roseane Cavalcante afirma que, por não ter comprovação de sede própria, ano passado a instituição perdeu a oportunidade de firmar parceria com uma ONG da Europa. Tivemos que indicar outra entidade para estabelecer a parceria. O processo de doação está na Procuradoria Geral do Estado. ### Associados tentam se adaptar com a ausência de Gerônimo Ainda atônitos com a morte inesperada de Gerônimo Ciqueira, os oito diretores, na última semana, tentavam se adaptar à nova realidade, sem a figura do líder. A sala onde o presidente da Adefal recebia o grupo, até terça-feira estava intacta. Na quarta, os móveis foram retirados e um novo ambiente foi implantado. A saudade é grande. É muito estranho entrar aqui e não encontrar com ele, conta a atual presidente da entidade, Roseane Cavalcante. ### Crescimento surpreendeu diretores A Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) surgiu a partir de um grupo religioso formado de pessoas com deficiência física, que se reunia numa igreja às margens do Riacho Salgadinho. Um dos fundadores, o diretor da Adefal, Luiz Carlos Santana, vítima de um vírus na medula, aos 21 anos, foi obrigado a parar de jogar futebol no Clube de Regatas Brasil (CRB). De classe média, se formou em Psicologia e Administração. ///

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