Cidades
Policiais fazem extra em milícias

É uma realidade incontestável que policiais, militares e civis, fazem bico, serviços extras de segurança nas horas de folga, e que o comando das duas corporações sabem, mas tem dificuldades para enfrentar o problema. Casas noturnas, bares e restaurantes são os estabelecimentos que mais utilizam a experiência desses profissionais. Há algum tempo, porém, surgiu uma nova opção: as milícias que fazem segurança motorizada nos bairros. Esses grupamentos, que cobram em média R$ 25 para proteger residências, sob o argumento de que inibem a ação de assaltantes, em muitos casos têm um militar no controle da empresa. As milícias que já atuam em diversos bairros de Maceió, agora chegaram ao Centro. Dois grupos, comandados por militares, dividem o trabalho, que consiste em garantir o patrimônio dos lojistas. ### Número de militares que faz bico é alto, diz comandante O 1º Batalhão é responsável pela segurança no Centro de Maceió. A atribuição da Polícia Militar é garantir a segurança pública ostensiva. A segurança patrimonial não é de nossa competência, disse comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas, tenente-coronel João Marinho, revelando que cerca de 30 homens policiam o Centro, diariamente, das 8 às 19 horas. A partir daí, a segurança é responsabilidade dos próprios lojistas que, segundo a presidente da Aliança Comercial Retalhista, Maridete Moura, é feita por empresas especializadas em segurança eletrônica. Maridete afirma que desconhece a presença de milícias fazendo segurança patrimonial no comércio central de Maceió. ### Defesa Social apura prática de extorsão Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Cícero Tenório Padilha, estatísticas levantadas por entidades de segurança pública revelam que 70% das mortes de militares ocorrem em atividades extras, ou seja, no conhecido bico. É um número elevado, ressalta o comandante-geral, apontando outros prejuízos que esses militares terão. Se a morte ocorre em atividades extras, o militar perde, por exemplo, o direito à promoção pós-morte, enquanto a família fica sem o apoio institucional. Uma saída para reduzir o interesse pelos serviços extras, propõe o coronel Cícero Padilha, seria o governo institucionalizar o pagamento de serviço extra dentro da própria corporação. ///