Cidades
Descobertas de uma mãe ainda menina
Marechal Deodoro O sobressalto com que pula da cama ao menor barulho vindo do berço durante a madrugada é um dos sinais de que as coisas mudaram. Antes, o sono era pesado e tranqüilo para a menina Rafaella Priscyla, 15 anos. Agora, o choro do pequeno João Rafael, de 3 meses, anuncia precocemente que a maternidade tomou conta da garota e o sexto sentido de mãe vai acompanhá-la pelo resto da vida. Ainda verde no trato com a cria, a menina levanta e tenta acalentar o bebê, que está inquieto e não pára de chorar. Ela está morta de sono. Ainda é muito jovem e não se acostumou a ficar noites em claro. Sem hesitar, busca socorro. Vai até o outro quarto da casa e bate na porta. Mãe, ele acordou!. ### Mãe há três meses, Rafaella afirma que amadureceu Para a adolescente Rafaella, 15 anos, tudo ainda é novidade, mas ela já tem a certeza de que é outra pessoa. Eu sinto que amadureci. Agora tenho responsabilidades com o meu filho, diz ela. Como qualquer outra garota de sua idade que vive em Marechal Deodoro, sempre gostou de festas e adora ir a shows de bandas. Conheceu um rapaz por quem se apaixonou. O nome dele é Janderson, 20 anos. Foi o primeiro grande amor da minha vida, diz ela. ### Maternidade cresce entre adolescentes A história de Jucinélia e da filha Rafaella é a mesma contada dentro de milhares de lares brasileiros onde a gravidez na adolescência é uma realidade. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a gravidez na adolescência cresceu no período entre os anos de 1996 e 2006. O percentual de adolescentes grávidas na faixa etária de 15 a 17 anos passou de 6,9%, em 1996, para 7,6%, em 2006. No Nordeste, no mesmo período, a variação chegou a 1,2 ponto percentual. ///