Cidades
Alagoanos são humilhados no exterior

Paulino Vergetti Neto, 50 anos, é casado e pai de dois filhos. Médico oncologista, é apaixonado por literatura. Mantém 16 blogs na internet e já publicou 36 livros. Gosta de fazer amizades pela tela do computador. Conheceu uma turma de brasileiros morando na Inglaterra e há meses mandava seus livros para alimentar bibliotecas públicas de Londres. Até que chegou a hora de viajar e conhecer de perto seus leitores virtuais. Oito meses se preparou para a tão esperada viagem. No último dia 17 de abril, no aeroporto Hearthrow, na capital inglesa, após 17 horas de viagem, enquanto os amigos já o esperavam no saguão, seu sonho virava pesadelo. Informado da marcação rigorosa da polícia perante estrangeiros, escolheu a melhor roupa que tinha. Colocou um blazer, mangas compridas e calça social. Preferiu uma bolsa de marca. Trazia na mala, além de livros, todos as vias do passaporte. Até prontuário para provar que era médico. Tinha dinheiro suficiente para os oito dias de passeio e uma carta de uma amiga inglesa o recomendando. ### Advogado socorre brasileiros em apuros Com a chegada dos anos 1980, as autoridades brasileiras atentaram para uma nova tendência social: a emigração. Hoje, cerca de um milhão e meio de brasileiros moram fora do Brasil. Outros 3,5 milhões, todos os anos, para passear ou estudar por um período, cruzam as fronteiras do primeiro mundo, deixando para trás tentativas frustradas de uma vida melhor na terra natal. São brasileiros estrangeiros como o alagoano Israel Cezar. Ele mora há dois anos e meio em Londres, capital da Inglaterra. Foi para aprimorar o inglês. Hoje trabalha e mantém na carteira um visto legal de imigrante. ### Quem viaja em grupo corre menos risco Quem trabalha na área, alerta: Não há como proteger turistas da remoção nos aeroportos, depende muito do critério que cada país adota, disse Larissa Borsato, gerente comercial da Aeroturismo, empresa há 31 anos no mercado alagoano. É fundamental se informar de cada exigência feita pelo país de destino. Na Europa, eles pedem quantia mínima de dinheiro para que fique provada sua intenção de ficar no país, sem trabalhar. Larissa diz que o ideal é procurar as empresas de turismo. O turista precisa sair consciente das exigências. Quem viaja em grupo, corre menos risco. Ela diz que muitos acham bobagem cumprir as regras à risca. Em Milão, eles exigem que uma pessoa de lá apresente você ao consulado. Ter cartão de crédito internacional é fundamental. ### Jornalista relata vida de imigrantes De Barcelona, capital da Catalunha, na Espanha, a alagoana nascida em Arapiraca, Keylla Farias, 29 anos, conta, por e-mail, como tem acompanhando no continente europeu as notícias sobre os brasileiros deportados na Europa. Especialista em Psicopedagogia, ela, que também é jornalista, formada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), está no país desde agosto de 2006 como estudante de doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona. Trabalha de segunda a sexta, das 10h da manhã às 3h da tarde, como monitora de pátios, num colégio bilíngüe. A permissão para eu continuar legalizada aqui tem que ser renovada a cada ano, mediante demonstração de que eu tenho em conta bancária uma movimentação de 1000 euros. Quem não demonstra isso, pode ser deportado. ///
