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Viúva luta por reconhecimento de pioneiro

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Vicentina Soares de Oliveira tinha pouco mais de vinte anos. Carregava nos braços o filho recém-nascido quando se deparou com o pai conversando com um vizinho. Estava com pressa, queria ir à missa e foi chamá-lo. Essa é a minha filha. Assim, no fim da década de 1960, foi apresentada ao seu futuro marido, meio século mais velho que ela. Tratava-se do engenheiro Edson de Carvalho, um alagoano nacionalista que lutou a vida inteira contra os interesses norte-americanos para proteger o petróleo que afirmava paulatinamente existir em abundância no subsolo de Riacho Doce, apesar das negativas oficiais do governo brasileiro, aliado aos Estados Unidos. Vicentina pouco sabia quem era aquele senhor calvo, de boa aparência. Mãe solteira, começou a visitá-lo. Edson de Carvalho, já no fim da vida, morava solitário numa casa que ainda hoje está erguida em frente à praça principal de Riacho Doce. ### Histórias foram eternizadas em livro Vicentina guarda como tesouro os poucos documentos que restaram da vida cheia de sonhos que o alagoano Edson de Carvalho levava. Tem a carteira da Associação Alagoana de Imprensa, da qual ele fazia parte. Tem um livro com o registro de um terreno que a Companhia de Petróleo Nacional criada por ele e outros investidores, como o escritor Monteiro Lobato, também um nacionalista, crente na existência e no potencial de exploração do combustível alagoano adquiriu em Morro de Camaragibe e Carro Quebrado. Ela tem até ações da companhia. Eu tinha muito mais, mas logo quando ele morreu, muita gente veio buscar documentos, dizendo que iria devolver e nunca mais voltou. ### Empresário defende pensão para companheira de Edson A dramática história do petróleo em Alagoas é contada em livros e em jornais. Em 1979, uma série de reportagens publicadas pelo extinto Jornal de Alagoas e escrita pelo jornalista Bartolomeu Dresch renderam ameaças ao repórter. As matérias mostravam a celeuma feita diante da dúvida de haver ou não petróleo em Riacho Doce, principalmente. Ligaram para meu telefone, ameaçando a vida da minha esposa e de meu filho, na época com três meses de vida, conta Bartolomeu. Parte das matérias que ele escreveu, além de pronunciamentos de políticos, como o senador por Alagoas, Ezechias da Rocha, e do deputado estadual, Renan Calheiros, e cópias de vários documentos sobre a polêmica do petróleo alagoano podem ser encontradas no livro Icnografia de dr. Lindonor Mota, escrito em 2004 por Luiz de Araújo Pereira. ///

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