Cidades
Reurbanização pode destruir área verde
O projeto de reurbanização da orla da Lagoa Mundaú, um sonho antigo não só dos moradores do bairro do Vergel do Lago como também de quase todos os maceioenses, está no meio de uma polêmica que envolve o fim de uma Área de Preservação Permanente (APP) que fica às margens da lagoa. O empreendimento esbarra em uma pendência que foi levantada pelos próprios moradores do Conjunto Virgem dos Pobres 1. De acordo com eles, a construção de alguns blocos de casas populares (de três pavimentos para 350 famílias de pescadores) seria realizada na Área de Preservação Permanente (APP) que foi regulamentada pela Lei Municipal nº 4.548/96. Os imóveis serão destinados a pescadores das favelas Sururu de Capote, Muvuca, Torre e Mundaú. ### MP aguarda estudo realizado pelo IMA A líder comunitária Vânia Teixeira, que responde pelas quatro favelas que existem às margens da Lagoa Mundaú, declarou que a área em questão, não foi uma escolha da comunidade. Não fomos nós que pedimos para as casas serem construídas naquela localidade. A decisão foi do governo. Na realidade, queríamos o terreno que fica próximo à Vila Olímpica do Sesi. Mas, o governo não aceitou, disse Vânia Teixeira. De acordo com ela, os moradores das quatro favelas se sentiram inferiorizados com a ação dos moradores do conjunto Virgem dos Pobres 1. A gente ficou chateado com a forma como eles falaram da comunidade. Não é só a questão da Área de Preservação Permanente. Eles não querem pessoas da favela do lado deles. Falaram até que a gente não tem higiene. Isso é um absurdo. Somos seres humanos iguais a eles, disse ela. ### Não há impedimento para as obras A polêmica que foi criada em torno da construção de 90 blocos de casas populares em uma Área de Preservação Permanente (APP), chegou as mãos do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que foi acionado pelo Ministério Público. De acordo com Gustavo Carvalho, diretor técnico do IMA, foram pedidos dois processos de licenciamento prévio para a execução de todo o projeto de reurbanização da orla. As licenças foram concedidas tanto pelo IMA, quanto pelo Conselho Estadual de Proteção Ambiental [Cepram]. O primeiro foi para a construção das 800 casas no bairro do Tabuleiro. O segundo referia-se a construção das casas na área próxima a lagoa, disse o representante do IMA. ///