Cidades
Vida após a aposentadoria
Há 50 anos, o imaginário em torno da terceira idade, no Brasil, era muito diferente. Os brasileiros idosos da década atual estão mudando a ideia de que os pijamas são as suas melhores companhias. Hoje, se vive mais e os avanços e descobertas científicas, associados a fatores socioeconômicos e culturais, contribuem com essa nova realidade. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na década de 60 a expectativa de vida do brasileiro era de 48 anos. Em 2010, ela aumentou para 73 anos. Hoje, o brasileiro vive, em média, 25 anos a mais do que na década de cinquenta do século passado. Ainda de acordo com o IBGE, a parcela de idosos pessoas com 65 anos ou mais passou de 2,7%, em 1960, para 7,4% em 2010. Esse aumento da população idosa modificou a dinâmica comportamental, alterando relações de consumo e hábitos relacionados à qualidade de vida dos idosos brasileiros. Eu não tenho tempo para ficar velha, minha vida é muito ocupada para pensar nisso. Há seis anos, eu vivia desmotivada porque parei de trabalhar e fiquei com muito tempo sobrando, sem fazer muita coisa. Aí, resolvi que ia tentar fazer alguma coisa por mim e entrei na aula de dança, comecei a fazer também teatro e musculação, e não tenho tempo para mais nada, conta Maria Tenório, de 71 anos. A geriatra Ronny Roselly defende que a aposentadoria deve ser planejada, para não se tornar sinônimo de ócio. As pessoas devem encarar essa etapa da vida como um ciclo que se encerra para que outro inicie. E é essencial, para um envelhecimento bem-sucedido, que esse ciclo seja encarado como uma etapa repleta de novas oportunidades. O tempo que passará a sobrar deverá ser utilizado para atividades que proporcionem prazer, diz. Maria Tenório segue esse conselho e está satisfeita com a nova vida que leva. O que mudou foi, principalmente, a minha disposição. Hoje em dia, eu me sinto muito bem, muito disposta, revela a aposentada. ? * Sob supervisão da editoria de Cidades. MARIA TENÓRIO APOSENTADA O que mudou foi, principalmente, a minha disposição. Hoje em dia, eu me sinto muito bem, muito disposta Ócio Especialista diz que aposentadoria deve ser planejada, para que tempo livre seja usado em atividades prazerosas