Cidades
Abrigos estruturados são minoria

Entre os abrigos estruturalmente organizados em Maceió se destaca o Lar São Francisco de Assis, estabelecido no bairro da Serraria, área classe média da cidade. A instituição só aceita abrigar pessoas com referência familiar ou indicadas pela assistência social do Estado ou dos municípios. A despesa mensal beira a casa dos R$ 100 mil, com alimentação, pagamento de 37 funcionários e com a manutenção. Segundo a presidente da instituição, Maria José de Melo, o poder público não ajuda em nada e cobra muitas melhorias. O lar abriga 76 pessoas: 49 homens e 27 mulheres. Os abrigados têm cinco alimentações diárias, assistência médica, psicológica, nutricionistas, enfermeiros, auxiliares, cuidadores e pessoal de limpeza. Parte do dinheiro do lar vem de 70% da aposentadoria dos abrigados, a maioria de classe média. Um deles é o empresário Tertuliano Barbosa, de 87 anos. Ele foi deixado na instituição pelos filhos. Meus filhos não podiam ficar comigo. Um deles disse que dou muito trabalho, por isso vim para cá. Seu Tertuliano, no entanto, não critica os filhos. Aqui eu não fico sozinho, já fiz alguns amigos e, quando tenho saudade de casa, fico olhando as fotografias da família, dos amigos, e esqueço a tristeza. Ao ser indagado se gostaria de voltar para casa, disse com lágrimas: Eu gostaria, mas meus filhos não querem. O empresário mora hás sete anos no abrigo.