Cidades
APOSTAS ESPORTIVAS DESBANCAM JOGO DO BICHO EM ALAGOAS
Como um leão a rugir, o Jogo do Bicho reinava absoluto na floresta pantanosa das contravenções penais há mais de um século, até surgirem as apostas esportivas que o desbancaram em Pernambuco, Alagoas e Sergipe. A modalidade já ameaça até as loterias oficiais administradas pela Caixa Econômica Federal (CEF). É o que revela a Gazeta nesta segunda e última parte da reportagem especial iniciada no domingo passado. A presidente do Sindicato dos Lotéricos de Alagoas (Sinal), Flávia Januária, demonstra preocupação e cobra providências à CEF para barrar o avanço das apostas esportivas ilegais no Estado. Vamos nos reunir para discutir o assunto e cobrar um posicionamento da Caixa Econômica, que também está sendo prejudicada. Esse tipo de jogo clandestino concorre diretamente com nossos jogos oficiais da Loteca e da Lotogol, que estão ligados ao futebol. Nós pagamos impostos, encargos sociais dos nossos funcionários e aluguel. Não podemos ficar sujeitos a uma concorrência desleal e ilegal, declarou Flávia Januária. No caso do Jogo do Bicho, o estrago é ainda maior. A Gazeta entrevistou um bicheiro, dono de bancas em Alagoas e Pernambuco, que concordou em falar sob anonimato. Ele revela que as apostas nos bichos caíram mais de 50% depois do surgimento e ascensão dos palpites esportivos. Esse tipo de jogo está empestado, não só aqui em Alagoas, como em Pernambuco, onde também tenho banca do Jogo do Bicho. Eu tive de demitir funcionários e os cambistas vivem reclamando o tempo todo. Como você sabe, o Jogo do Bicho é proibido e eu não posso instalar um ponto de aposta. Mas eles têm ponto em toda esquina. Se eu botar uma placa do Jogo do Bicho na rua, a polícia vem em cima. Com eles, isso não acontece, compara o bicheiro, com mais de 30 anos de experiência no ramo.