Cidades
Trabalhadores estão apreensivos
Em tempos de efervescência na política, o trabalhador brasileiro ainda espera por dias melhores. Manter o otimismo com salários defasados, desvalorização e incerteza sobre o futuro só não é pior do que enxergar no território nacional um abrigo para uma legião de mais de 13 milhões de desempregados. Nos 200 anos de Emancipação Política do Estado, a Gazeta de Alagoas ouviu entidades que contam um pouco sobre avanços e desafios de quem arregaça as mangas todos os dias na labuta. Na avaliação de Rilda Alves, presidente da Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT/AL), os trabalhadores têm jornada diária excessiva e muitas vezes não conseguem que seus direitos sejam respeitados. E, com a Reforma Trabalhista, segundo ela, os avanços conseguidos até agora podem descer pelo ralo. Se está assim agora, depois, o trabalhador não vai ter direito a nada. Daqui a mais dez, quinze anos, quando a gente for fazer essa avaliação, aí veremos que a situação vai estar ainda pior, declara a sindicalista. A presidente da entidade lembra da falta de oportunidade de emprego no país e em Alagoas. A situação do trabalhador no Estado de Alagoas vem se complicando. Se é no comércio, cada vez mais se perde o posto de trabalho. Quando não é isso, ainda é um trabalho muito desumano. O tempo de descanso deles é quase nenhum. Se vai para o campo, a gente vê que esse é que é desumano mesmo. Saem de madrugada, se arriscando no caminho, desgastante e não é valorizado. Isso para ganhar um salário-mínimo e muitas vezes não têm os direitos respeitados, relata a presidente da CUT em Alagoas. No caso dos servidores públicos, de acordo com Rilda Alves, muitos têm de conseguir dois a três empregos para assegurar uma renda, deixando família em segundo plano. Você não tem tempo para nada. O trabalho virou uma forma de escravidão. Tem que trabalhar muito, muito, para poder sobreviver nesse sistema, lamenta.