Cidades
Aos 15 anos de idade, dois em cada 10 alagoanos não sabem ler
Alagoas é o Estado que tem o maior índice de analfabetismo de pessoas com mais de 15 anos. A triste realidade foi exposta num estudo da Fundação Abrinq, baseado em números do Pnad 2015 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados nessa terça-feira, 10. Os números revelam que 20% da população alagoana acima de 15 anos é analfabeta, ou seja, 2 em cada 10 alagoanos com mais de 15 anos não sabem ler nem escrever. Os dados de Alagoas são mais que o dobro da média nacional, que está em 8 e 4 pontos percentuais, e estão acima da taxa de 16% da população nordestina. O Nordeste é o que tem o pior desempenho do Brasil, quase 4 vezes pior que a região Sul, que obteve os melhores índices, com 4,1%. Alagoas ficou à frente de estados como Maranhão, Piauí, Ceará e Paraíba, no quesito de maior índice de analfabetos. Ainda de acordo com o estudo, as menores taxas de analfabetismo acima de 15 anos estão no Rio de Janeiro e Distrito Federal, com 3% em ambos. Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina vêm em seguida, com 3,5% cada um. O coordenador da Educação de Jovens e Adultos de Maceió, José Rubens Silva Lima, afirma que os números evidenciam uma construção histórica e têm em sua composição a pobreza, miséria e luta pela sobrevivência. A escolha entre estudar e sobreviver só apresenta uma alternativa lógica a ser escolhida, declara o coordenador. Em seu entendimento, é preciso olhar com outros olhos para os estudantes dessa faixa etária, de modo que possam ser entendidos e assim os órgãos públicos possam lograr êxito na tarefa de alfabetizá-los. Outra triste realidade exposta por José Rubens é a condição que, segundo ele, acomete jovens com idade entre 15 e 18 anos. Para as meninas, a gravidez chega às vezes muito cedo e as impede de seguir a vida escolar, para os rapazes, a responsabilidade começa a pesar dentro do lar e muitos caem na cruel escolha de comer ou estudar, sustentar a casa ou estudar, desabafa. A professora Maria Consuelo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), classificou o índice como vergonhoso para Alagoas, e atribuiu a culpa dessa realidade à falta de compromisso e vontade dos governantes em reverter os dados negativos. Ao que se percebe, é interessante para a classe política que índices como esse continuem assim, para que possam manipular no processo eleitoral tanta gente sem instrução, declara. Consuelo afirma que não vislumbra nenhuma melhora para a situação da educação no Estado e ainda avalia as ações do governo estadual como midiáticas. São ações que não refletem a realidade vivenciada nas escolas de Alagoas, declara. * Sob supervisão da editoria de Cidades