Cidades
Projeto pune motoqueiros por ziguezague
Bleine oliveira Repórter O direito de circular livremente no trânsito, fugindo dos congestionamentos num ziguezague frenético entre os carros é um dos privilégios dos motoqueiros. Mas, se depender da Câmara dos Deputados, essa vantagem de quem circula de motocicleta, motoneta e ciclomotor vai acabar. Um projeto de lei, já aprovado na Comissão de Viação e Transportes da Câmara, proíbe esse movimento e obriga o motoqueiro a manter distância lateral de 1,5m dos carros em circulação. O motoqueiro será proibido também de trafegar no espaço entre a calçada e os veículos a ela adjacentes. A medida é considerada positiva, como qualquer outra destinada a garantir a segurança no trânsito. Entretanto, praticantes do motociclismo e usuários rotineiros desse veículo defendem a adoção de medidas educativas e de conscientização. O argumento deles é de que estas apresentam maior eficácia que as ações de natureza meramente punitiva, como é o caso do PL 2650, apresentado à Câmara em 2003 pelo deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PFL-BA). vítimas O motociclista flagrado ziguezagueando no trânsito terá que pagar multa de R$ 85,13 e será punido com a perda de quatro pontos em sua carteira de habilitação. Em 2002, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Alagoas aconteceram 1.477 acidentes com vítimas. Em Maceió o número chegou a 699. A maior parte dos registros ocorreu de dia e em área urbana. Do total de acidentes, com e sem vítimas, 380 envolveram motociclistas, e em todo Estado morreram 38 deles. Em Maceió, de 1.220 acidentes, 230 ocorreram com pessoas guiando moto, e 4 motoqueiros morreram durante aquele ano na capital. Se for aprovado no plenário da Câmara, o PL será o primeiro ajuste no Código de Trânsito Brasileiro desde sua edição, em 1998. O coordenador do Maceió Moto Clube, Carlos dos Anjos, também aprova a medida, mas avalia que ela terá pouco efeito prático. O problema, aponta ele, é a dificuldade para a fiscalização desse comportamento que em breve será ilegal. Acredito que a medida dê mais segurança, mas como se poderá medir a distância de 1,5m e como os agentes de trânsito vão fazer a fiscalização?, indaga o coordenador. Para ele, transformado em lei, o PL será mais uma norma a ser descumprida. A mudança real de comportamento virá quando os órgãos de trânsito adotarem campanhas educativas permanentes, diz.