Cidades
MP apura formação de cartel em postos
Regina Carvalho Abasteço com gás natural em quatro postos diferentes de Maceió e todos têm o mesmo preço. A reclamação do taxista Cícero Vieira da Silva foi a base da denúncia feita pelo Sindicato dos Taxistas de Alagoas (Sintáxi) ao Ministério Público Estadual (MPE). Segundo o presidente do Sintáxi, Ubiraci Correia de Lima, existe em Alagoas um cartel formado pelos postos de combustíveis que oferecem o gás natural veicular (GNV). Recebemos inúmeras reclamações de taxistas e constatamos que existe a uniformização do preço do gás natural veicular nos postos de combustíveis em Alagoas, denunciou. Levantamento realizado pelo Sintáxi aponta que a Algás, fornecedora do GNV, vende o metro cúbico do produto pelo preço de R$ 0,59, desde março do ano passado, incluídos tributos como PIS, Cofins e ICMS. Há mais de um ano não houve aumento do preço no produto fornecido aos postos pela Algás. Este ano, embora não tenha havido aumento no preço do fornecedor, os postos de combustíveis promoveram aumento uniforme. Como explicar isso? Só pode estar havendo cartel, declarou o presidente do Sintáxi. NAS BOMBAS A GAZETA constatou que em três postos de combustíveis, nos bairros do Trapiche, Poço e Mangabeiras, o preço do GNV é o mesmo. O metro cúbico custa R$ 1,134. Principal combustível utilizado pela frota de táxi em Alagoas, o GNV, representa economia. Sem dúvida a economia é certa, mas o GNV em Maceió ainda está caro. Em Natal (RN), o metro cúbico custa menos de um real. Já percorri aqui inúmeros postos e em todos o preço é o mesmo, disse o taxista Pedro Barros. Na denúncia feita pelo Sintáxi ao MP, alguns postos de combustíveis não compram diretamente o GNV da Algás, mas de uma distribuidora. Essas distribuidoras já adquirem o produto da Algás, que inclui em seu lucro. Mesmo assim esses postos e os que compram o GNV diretamente da Algás mantêm os mesmos preços, afirma Ubiraci Correia de Lima. Para o taxista Cícero Vieira, os gastos com manutenção também encarecem a opção pelo GNV. Apesar da economia no dia-a-dia de trabalho, gastei um absurdo de dinheiro com o kit de gás e ainda com a manutenção, que me custou mais de R$ 800. Sem dúvida, o gás deveria custar menos nos revendedores de Alagoas, concluiu. ### Sindcombustíveis nega cartel Em Maceió, 17 postos de combustíveis oferecem o Gás Natural Veicular (GNV). Se a gente não tomar uma medida agora, daqui a pouco estaremos pagando o mesmo preço do álcool para abastecer, declarou o presidente do Sintáxi. Dos três mil taxistas que circulam na capital, cerca de 80% utilizam o GNV. Converti meu carro há um ano e meio. Por mês, chego a economizar uns R$ 800, disse o taxista Jessé Teixeira. Preço De acordo com denúncia formalizada ao MP pelo Sintáxi, de novembro de 2003 a janeiro de 2004 o GNV era vendido pelo preço de R$ 1,084 por metro cúbico, em todos os postos de combustíveis. Ou seja, eles tiveram um lucro de 82,95%. Em janeiro deste ano, sem que houvesse aumento pela Algás, os postos aumentaram os preços de R$ 1,084, o metro cúbico, para R$ 1,134. O lucro saltou para 91,39%, declarou Ubiraci Correia de Lima. O presidente do Sindcombustíveis - sindicato que reúne os donos de postos -, Mário Jorge Uchôa, negou que esteja havendo a formação de cartel. De acordo com ele, o fato de os postos de combustíveis terem o mesmo preço não significa que isso seja combinado. Nós não interferimos em preços. Não sei por que o GNV é mais caro aqui do que em Natal. Isso não é formação de cartel, é concorrência, insistiu Mário Jorge Uchôa.