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Audiência pública discutirá crise no Lifal

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Fátima Almeida O governo do Estado vai propor uma audiência pública para discutir a situação do Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas (Lifal). Os trabalhadores estão parados há mais de uma semana, em protesto contra a falta de uma política de sustentabilidade para o órgão. Na edição de ontem, a Gazeta mostrou que medicamentos de alto custo, inclusive da lista do coquetel para tratamento de Aids, serão incinerados porque ultrapassaram o prazo de validade sem conseguir compradores. Mostrou também que vários lotes de medicamentos de saúde básica, que faltam nas farmácias dos postos de saúde e que são adquiridos fora do Estado pelos gestores públicos, estão encalhados no laboratório estadual, e poderão ter o mesmo destino. Ontem pela manhã, os trabalhadores realizaram um novo protesto em frente ao Palácio do Governo e interditaram o trânsito com faixas, carro de som e queima de pneus, no cruzamento da Ladeira dos Martírios com a Rua do Sol. Queremos uma política de sustentação para o Lifal. O governo tem uma mina de ouro e quer entregar para a iniciativa privada, argumentou o servidor Antônio José. desinteresse Na opinião dos trabalhadores do Lifal, a situação atual do laboratório e a falta de interesse dos gestores de saúde pública em comprar os medicamentos produzidos pelo laboratório estatal apontam para um processo de desestabilização para forçar uma privatização. O governo reagiu ontem: O Lifal está em uma área estratégica do Estado, mas esbarra na fronteira da tecnologia. Trata-se de um setor que exige renovação tecnológica permanente, que o Estado sozinho não tem condições. Temos que avaliar a necessidade de formação de Parcerias Público-Privada, sem abrir mão do controle do Estado, alega o secretário coordenador de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcante. ### Privatização divide servidor e governo Os servidores rebatem as informações dos gestores do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal), de que a unidade não terá capacidade de desenvolver novas expansões tecnológicas só a partir de parcerias com a iniciativa privada. O Lifal é viável. Já mostrou que pode ser competitivo. Só o governo não enxerga isso. Se fizer parceria público-privada, o reflexo negativo vai para a sociedade, porque deixaremos de produzir medicamentos a baixo custo. A empresa existe, tem tecnologia e capacidade de produção; não entendo por que entregá-la à iniciativa privada, rebate o líder da paralisação dos servidores, Antônio José. Discussão Na opinião do Gestor de Articulação Colegiada do Governo, Pedro Alves, o laboratório estatal só conseguirá se manter no mercado, com competitividade, se tiver um projeto ousado de gestão, produção e escoamento dos produtos. Vamos propor uma audiência pública para discutir a situação, declara ele. Pedro Alves confirmou a programação do Estado, de liberar nesta sexta-feira os salários dos trabalhadores do Lifal, referentes ao mês de fevereiro. A secretária executiva de Saúde, Kátia Born, afirmou ontem que o Estado vai voltar a comprar os medicamentos produzidos pelo Lifal. Já fizemos um levantamento. O laboratório tem nove dos 25 itens que formam a cesta básica. Estamos retomando o pacto, anunciou a secretária. Segundo ela, havia, antes, um acordo de compra, o chamado Programa Pacto Integrado (PPI). Mas, como os municípios poderiam comprar fora os itens que o laboratório alagoano não tivesse para vender, as dificuldades de produção vividas pelo Lifal acabaram levando os municípios a outros fornecedores. Mas estamos contornando isso. Vamos pactuar toda a produção, disse Kátia Born. A secretária também segue na linha que parece ser consenso dentro do governo: Os insumos são muito caros. Compra-se em dólar. Precisamos de uma parceria público-privada para incrementar a produção do Lifal, já que o Estado, sozinho, não tem condições de assegurar uma tecnologia competitiva, disse ela. |FA

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