Cidades
Juiz não teme, mas contrata seguranças
Bleine Oliveira O juiz da comarca de Piaçabuçu, Maurício Brêda, não vai alterar sua rotina depois das ameaças que recebeu. Mesmo assim, decidiu evitar situações de risco e contratou segurança pessoal. Ele já recebeu o apoio do Tribunal de Justiça, a quem relatou os episódios registrados naquele município depois que aceitou o pedido de prisão temporária feito pelo Ministério Público contra o policial militar Adilson Dias Santos e os funcionários públicos Ademildo Dias Santos e Damião Caetano. Os três são investigados pelo MP como suspeitos de envolvimento em três crimes até agora definidos pela polícia como de autoria desconhecida. Há cerca de uma semana, Maurício Brêda e o promotor da comarca, Luiz Antônio dos Santos Filho, foram informados de que pessoas não identificadas deixaram recado para que suspendessem as investigações sobre esses e outros crimes, ou iriam ser assassinados. Esses recados chegaram até nós, mas não me intimidam, afirma o juiz. Ele não fez qualquer comentário sobre os processos em que os três homens presos na última quinta-feira, 31, estão envolvidos, mas admitiu que passou a andar com segurança pessoal. Reforço As ameaças são do conhecimento oficial da Secretaria de Defesa Social. O juiz Maurício Brêda revela que recebeu telefonema do delegado Mário Jorge Marinho, diretor de Polícia do Interior, que sugeriu reforçar sua segurança diante das ameaças. Mas ele preferiu manter a estrutura de que já dispõe, custeada por seus próprios recursos. A segurança policial ao juiz Maurício Brêda foi discutida também pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Estácio Gama de Lima que, ao ser informado sobre as ameaças à vida do magistrado, cobrou a intervenção do Estado. O promotor Luiz Antônio disse que adotou medidas de segurança - uma delas a instalação de grades na casa onde funcionam o fórum e a promotoria da comarca . Foi um medida que adotei para me precaver, pois durmo algumas vezes na casa. Ele ressalta que a falta de investigação da série de crimes que estão ocorrendo em Piaçabuçu tem como causa a pouca estrutura disponível nas delegacias. No município faltam combustível para a viatura e instrumentos de inteligência para a investigação. São problemas que precisam ser superados para vencermos a inoperância , disse o promotor, que passou a andar com um policial da assessoria militar da Procuradoria Geral de Justiça.