Cidades
Relatório pede capital privado para crise no Lifal
Luiza Barreiros Um relatório encaminhado na última quarta-feira ao governador Ronaldo Lessa (PDT) recomendou a abertura do capital do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal) para a iniciativa privada como a única saída para torná-lo economicamente viável. A idéia é de que seja realizada uma licitação pública para atrair sócios dispostos a investir capital privado na empresa. Os servidores do Laboratório, em greve há mais de uma semana, rejeitam a participação da iniciativa privada. Desde o ano passado, o Estado já investiu mais de R$ 10 milhões no Lifal, mas ainda não conseguiu recuperá-lo totalmente. Além de dívidas com o INSS - já parcelada - e a Receita Federal, a empresa estava até ontem com os salários de fevereiro e março atrasados. O governo liberou R$ 200 mil, mas só foram suficientes para saldar a folha líquida de fevereiro. O documento entregue ao governo, sugerindo a abertura do capital, foi elaborado por um grupo de trabalho presidido pelo secretário coordenador da Célula de Planejamento, Gestão e Finanças, Sérgio Dória. Gestão participativa Segundo Sérgio Dória, a idéia é de que o Lifal passe a funcionar num modelo semelhante ao da Gás de Alagoas S/A (Algás), que é uma empresa de economia mista, que possui capital privado e governamental: seus acionistas são o Estado de Alagoas com 17%, a Petrobras, com 41,5%, e a Gaspart, com 41,5%. O modelo de gestão com participação privada traria aporte de capital de giro e investimento, sem, no entanto, perder a característica de estatal, o que é muito bom nas negociações com o setor público, por possibilitar vendas sem concorrência e sem o pagamento de impostos, explicou o secretário. Segundo Sérgio Dória, o grupo de trabalho chegou a essa conclusão depois de realizar, no ano passado, uma audiência pública que teve a participação de empresas privadas do setor de medicamentos. Caso o governador acate a proposta, o segundo passo será a abertura de um processo licitatório para que empresas interessadas na sociedade possam apresentar propostas de investimento. ### Diretoria é mais política que técnica Desde o início do ano, o Lifal vem sendo administrado por uma diretoria indicada pelo deputado federal João Caldas (PL), dentro do acordo político que trouxe o Partido Liberal de volta ao governo Ronaldo Lessa. Além do Lifal, Caldas conseguiu indicar o titular da Secretaria Estadual de Habitação. O atual presidente, o advogado e delegado aposentado da Polícia Federal Marcos Antônio Omena Farias, assumiu o cargo no dia 15 de fevereiro. Antes de assumir o Lifal por indicação do PL, Marcos Omena trabalhou como agente de Polícia Civil, na Secretaria Estadual de Segurança Pública, e foi agente de Polícia Federal. Além disso, ele foi instrutor de Técnicas de Interrogatório e de Investigação Policial, na Academia de Polícia Civil de Alagoas. Também atuou como diretor operacional de Transporte e Trânsito da Prefeitura de Maceió. Ontem, a Gazeta entrou em contato com ele, mas Omena afirmou que não daria entrevista sobre a crise no órgão. Também integram a diretoria Átila Maurício da Rocha, titular da diretoria técnico-industrial, e Lara de Araújo Amorim, ocupante do cargo de diretora de Administração, Finanças e Comercialização. Caso o novo modelo de gestão seja adotado pelo governo, os parceiros privados indicariam os diretores financeiro e de produção e o governo do Estado faria apenas a indicação da presidência da empresa. Como já ocorre hoje na Algás, todas as decisões teriam que ser tomadas em parceria com os acionistas. No relatório encaminhado ao governo pelo grupo de trabalho, foi sugerido que até o término do processo de mudança do modelo de gestão, a atual diretoria ganhe uma espécie de reforço com a participação dos membros do Conselho Administrativo da empresa - presidido por Germano Regueira - e dos membros do grupo de trabalho. |LB