Cidades
Juiz faz leilão de 300 fazendas no Sertão
Maikel Marques Repórter Sucursal Arapiraca - O padre, o prefeito da cidade, dezenas de agricultores endividados e lideranças sindicais - assustados com a decadência econômica da Bacia Leiteira - correram ao Fórum da cidade de Batalha quarta-feira pela manhã para conversar com o juiz substituto Jandir de Barros Carvalho. Queriam saber do magistrado quando seria despachado o primeiro lote dos mais de 300 processos pedindo o leilão de fazendas há mais de uma década penhoradas como garantia de pagamento de financiamentos contraídos por seus respectivos proprietários em instituições financeiras oficiais: os bancos do Nordeste e do Brasil. A notícia de que o juiz Jandir Barros e seus auxiliares decidiram fazer mutirão para desencalhar e definir data de leilão (venda) de mais de 300 fazendas de médio e grande portes nas cidades de Batalha, Jacaré dos Homens e Belo Monte caiu como uma bomba entre os produtores da região. Em sua maioria, eles contraíram financiamento bancário para melhorar a estrutura dos imóveis, mas se dizem com a corda no pescoço. Não conseguiram honrar as prestações por causa de fatores climáticos (estiagens prolongadas), que contribuíram não apenas para a queda de produção e da renda ao final do mês. O leilão de quem não pode pagar significa o enterro da região, que agoniza e enfrenta sua maior crise, critica o produtor rural Maxwell Faustino Rocha. Ele é presidente da Associação dos Produtores do Semi-Árido Alagoano (Apressa), cuja principal bandeira é fazer com que o governo federal adote mecanismos de renegociação de dívidas rurais para evitar o colapso econômico da região. Imagine o caos de uma região onde as fazendas podem ficar sob controle de bancos oficiais, alerta. ### Não posso guardar processo que espera pelo julgamento Consultado pela Gazeta de Alagoas um dia antes da reunião, o juiz Jandir de Barros Carvalho confirmou a existência, nas gavetas do Fórum de Batalha, de mais de 300 processos nos quais os bancos do Nordeste (BNB) e do Brasil (BB) pedem a venda de fazendas para garantir o pagamento de financiamentos contraídos por produtores rurais. Quanto ao andamento dos processos, o magistrado foi taxativo: Não posso ?dar gaveta? em processos que aguardam julgamento. Minha missão profissional é analisá-los e então despachá-los, sejam eles quais forem, explicou. De acordo com o magistrado, há uma perspectiva de convocação das 20 primeiras praças (leilões) para os meses de maio e junho. Nesse caso, os devedores teriam mais uma chance de renegociar (pagar) seus débitos. Caso não entrem num acordo, os imóveis seriam então postos à venda. A confirmação de data para realização desses leilões depende da oficialização dos editais. Os documentos podem ser publicados com rapidez, ou então permanecerem engavetados por período indeterminado. |MM