Cidades
Espigões do Centro perdem a corrida da verticalização
Fátima Almeida Maceió caminha para os limites de seu crescimento horizontal. A cidade que começou a surgir na parte baixa, a partir do início do século 19, subiu os morros do Farol, avançou pelos tabuleiros e ocupou toda a extensão da orla. A falta de opção para quem procura um espaço à beira-mar acelerou a verticalização da Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca e caminha no sentido de Cruz das Almas e adjacências, mas o Centro da cidade permanece praticamente com o mesmo traçado horizontal. Não há explicação técnica, mas a verticalização iniciada na década de 60, com a construção do edifício Breda, o mais famoso, talvez por ter sido o primeiro do Centro de Maceió, não prosperou. Estagnou a partir dos anos 80. De lá para cá, poucos se arriscaram a crescer para o alto. Os edifícios mais recentes, o Barão de Penedo e o prédio do INSS, foram construídos há cerca de 12 anos, mas já ficam praticamente fora do eixo comercial. De uma maneira geral, os raros espigões do centro, que destoam dos sobradinhos e casarões remanescentes do tempo e da falta de políticas de preservação arquitetônica, abrigam escritórios e consultórios. A maioria está com pelo menos metade de sua capacidade de ocupação ociosa, o que acaba refletindo no estado de conservação. Em 92, o Breda e o edifício Lobão Barreto foram intimados pela Prefeitura a fazerem manutenção na parte elétrica e elevadores, sob pena de serem fechados. Sobreviveram. Esse esvaziamento gera um ciclo em que os ocupantes acabam migrando para outros espaços, onde haja mais evidência para os negócios e menos custo de manutenção. Assim, o centro de Maceió parece viver um movimento contrário ao de outros centros urbanos. Os espigões, que em algum tempo foram sinal de modernidade, vivem o ostracismo; parecem condenados à proscrição por um fenômeno que ninguém sabe explicar. Sem residentes De acordo com a Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano, SMCC, não existe proibição legal para a construção de prédios altos no centro da cidade. Provavelmente o esvaziamento e as limitações do anel viário podem ter influencia nesse perfil. Não há área de estacionamento e praticamente não existe mais população residente, observa o chefe do setor de controle urbano, Paulo Canuto. Segundo ele, a taxa de ocupação do centro é de 90%, basicamente de térreo e primeiro andar. Mas o secretário da SMCCU, Ednaldo Melo, acredita que as mudanças em andamento, principalmente a revitalização do centro administrativo, vão revitalizar o centro de Maceió. NOITE VAZIA Na avaliação do urbanista Pedro Cabral, as dificuldades de estacionamento podem ser um fator explicativo, mas ele observa, também, que o Centro perdeu o glamour quando deixou de ser misto (residencial e comercial). Passou a ter uma atividade forte pelo dia, e à noite é esvaziado, quando poderia ter vida. Os investidores passaram a procurar áreas novas, comercialmente mais viáveis para a construção. Um prédio vertical tem manutenção cara, diz ele. Além disso, a verticalização exige uma maior oferta de infra-estrutrura, coisa que o Centro ainda não tem, mas está em fase de implantação, completa o urbanista Pedro Cabral.