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Notívagos sofrem em busca de opções

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Fernando Coelho Enquanto a cidade veste o pijama e deita mais cedo, os desfrutadores e trabalhadores dos ares da madrugada sentem na pele as dificuldades de terem apenas o turno mais parado do dia para exercer atividades cotidianas. Ao lado da amiga Márcia Castro e de outras colegas de faculdade, as estudantes de arquitetura Fernanda Santana e Paula Venâncio batem ponto toda quarta-feira à noite na cafeteria do Palato. Dispostas a sair da rotina, elas formaram uma espécie de clubinho e escolheram o supermercado 24 horas para as reuniões informais. Apesar de a cafeteria fechar à meia-noite, como elas já são freguesas conhecidas, conseguem ficar até um pouco mais tarde e raramente saem antes das duas da manhã. Mesmo aprovando o aconchego do recinto, as jovens de classe média revelam que desejariam variar a programação nas madrugadas de quarta-feira. Elas reclamam que não têm opções diferenciadas na cidade após a saída da aula, nunca antes das 22 horas. Não tem cinema, nem locadora, nem mesmo um outro local agradável para se conversar tranqüilamente, lamenta Fernanda Santana. Apesar de não preservarem o hábito de fazer compras nas altas horas, reconhecem que Maceió deixa a desejar neste quesito. Na verdade, eu acho que tanto a violência quanto a falta de hábito cultural impedem o aumento de ofertas, pondera Paula Venâncio. O que elas talvez ainda não saibam é que o Cine Cidade, no Farol, está criando a Sessão Corujão, para exibir filmes a partir das 23h30. O único porém é que a sessão funcionará apenas às terças-feiras. Ainda é pouco, mas já é um começo. sem alternativas Há ainda aqueles que vieram de cidades cosmopolitas e penam para se adaptar à falta de costumes em Maceió após a meia-noite. Caso da psicóloga paulista Débora Moraes, 25 anos, que veio para Alagoas fugida do frio e em busca de novas oportunidades profissionais. Nascida na maior metrópole do País e com temporadas em grandes cidades como Toronto, no Canadá, ela sentiu a diferença mais intensamente. Em São Paulo, eu trabalhava até às 23 horas e sempre me habituei a fazer compras tarde da noite, comenta. Acostumada com padarias, livrarias e locadoras abertas a qualquer hora, Débora aponta como problema - além dos poucos serviços - a falta de alternativas no momento de consumir. Eles não precisariam necessariamente ficar abertos 24 horas, mas poderiam ir até bem mais tarde. Como reside no bairro de Ponta Verde, o mais bem abastecido de serviços na madrugada, a situação de Débora ainda não é das piores. Mesmo assim, não tem concorrência. A grande dificuldade é que você não tem como escolher, alega. ### Farmácias fecham portas mais cedo Fernando coelho Como se já não bastassem os altos preços dos remédios - ainda mais caros após o recente reajuste -, o cidadão agora precisa tomar cuidado com a hora que o organismo escolhe para adoecer. Afinal, até farmácias estão encerrando suas atividades mais cedo. Das mais de 300 existentes em Maceió, apenas 8 funcionam 24 horas - e para piorar, os moradores da periferia saem ainda mais prejudicados, uma vez que a maioria destas está localizada nos bairros da orla e do Farol. Eu não acredito que elas tenham aumentado ou diminuído. Na verdade, o número tem se estabilizado. O problema é que o serviço não tem lucratividade em função do altos custos, principalmente com segurança. Isso tem inibido a ampliação, explica Cláudio Almeida, presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos de Alagoas. estratégia de mercado A rede de farmácias São Luiz, há 38 anos no mercado maceioense, informa que, de suas 13 lojas, apenas duas - uma na Av. João Davino e outra na Ponta Verde - funcionam 24 horas. Escolhemos essas por conta da localização e também pelo tamanho. Só assim é possível funcionar com economia de energia e mais segurança, alega Kennedy Sampaio, um dos diretores da rede. Segundo o executivo, uma terceira loja chegou a funcionar 24 horas, mas teve que ser fechada por causa do baixo movimento. Devido aos altos custos e o pouco movimento, manter uma farmácia funcionando 24 horas é mais uma prestação de serviço à comunidade e, ao mesmo tempo, uma estratégia de mercado, acredita. ### Locadora funciona até as 3 da manhã Se o maceioense acordar tarde da noite e quiser assistir a um bom filme, vai precisar contar com a sorte e esperar que a programação da TV o ajude com sua carência cinematográfica. Em Maceió, não existe locadora 24 horas. No máximo, uma opção é a Tamires Vídeo, no Jacintinho, geralmente de portas abertas até as três da manhã diariamente e com acervo de 3.500 filmes. A proprietária, Marlene Gomes, tem o estabelecimento há seis anos e garante nunca fechar antes deste horário. Eu fico até tarde porque moro aqui mesmo e todos os dias minhas filhas ficam assistindo a filmes com os amigos ou cantando no karaokê, explica. No outro lado da cidade, na Avenida Fernandes Lima, uma das maiores locadoras de vídeo de Maceió encerra as locações por volta das 21 horas e não abre aos domingos. Com um acervo de mais de 10 mil filmes, a CM Vídeo não pensa em funcionar em tempo integral. Um dia ficamos até as 23 horas como experiência, mas não deu ninguém. O alagoano tem medo de sair à noite. A tradição da vida noturna por aqui sempre foi a de bares, analisa Carlisdenis Pedro do Carmo, o proprietário. Já a concorrente à altura da CM, a Vitória Vídeo, possui duas lojas - uma no Farol e outra na Ponta Verde - e funciona de segunda a sábado até 22 horas. Aos domingos, a locadora abre até 19 horas. O proprietário, Modesto Cajueiro, já chegou a pensar em colocar uma das lojas 24 horas. Mas desistiu, prevendo o fraco movimento. Acho que é uma questão cultural. No nosso caso, além do alto custo, não vejo uma demanda que justifique, explica. Entrega Seja nas farmácias, padarias, lanchonetes ou pizzarias, até mesmo os serviços de entrega também estão dando marcha à ré no horário de funcionamento. Há 20 anos no mercado, a Super Pizza inovou com o chamado corujão nos finais de semana entre 2001 e 2003. O cliente podia fazer o pedido até as quatro da manhã. Hoje, o funcionamento da pizzaria e a entrega de seus produtos vão até meia-noite. Breno Guimarães, um dos proprietários do empreendimento, alega dois motivos para a extinção do serviço: insegurança e baixa demanda. No período, tivemos nossos motoqueiros assaltados. A cidade também não tem estrutura para manter este tipo de serviço. Falta público para consumir, explica. Apesar de não ter planos para voltar com o serviço ou de ampliar o horário de atendimento, Breno assegura a entrada em iniciativas concretas que objetivem agitar a vida noturna de Maceió. Estamos antenados com as mudanças de mercado. Se tivesse algum projeto para uma rua 24 horas com uma boa estrutura, nós entraríamos nessa, garante. |FC

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