Cidades
Produtores endividados vão ao DF
Sucursal Arapiraca - Os senadores Heloísa Helena (PSOL), Teotonio Vilela Filho (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB) mantiveram contato com o presidente da Associação dos Produtores do Semi Árido (Apressa), Maxwell Faustino Rocha. Eles demonstraram preocupação com a crise social do Sertão, disse Rocha, caso a Justiça decida despachar no próximo mês os processos de leilão das 300 fazendas penhoradas há mais de uma década para garantir pagamento de financiamento contraído por produtores nos bancos do Brasil e do Nordeste, conforme matéria publicada domingo pela Gazeta. Na tentativa de adiar por seis meses a realização de leilão dos imóveis rurais, produtores endividados e prefeitos devem se reunir amanhã, em Maceió, com o desembargador Washington Luiz, corregedor-geral do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL). Queremos do corregedor a garantia de que os juízes das comarcas do interior vão deixar esses processos engavetados por pelo menos seis meses, explica Maxwell Faustino. Os seis meses são o tempo previsto pelos produtores para discussão e aprovação, no Senado, de projeto de lei (PL) que prevê a renegociação de dívidas entre R$ 35 mil e R$ 200 mil contratadas até 31 de dezembro de 2000. Os produtores estão em estado de coma e internados na UTI. O leilão dessas fazendas é capaz de desencadear crise social sem precedentes na região da Bacia Leiteira, diz o presidente da Apressa. Ontem, ele recebeu telefonemas de produtores endividados de todo o Estado. Todos buscavam uma luz no fim do túnel para a agonia que parece não ter fim. O desespero de quem vê sua terra prestes a ser leiloada é muito grande. Além da seca, somos vítimas de juros extorsivos. Não temos como honrar esses débitos, completou. Uma comissão de produtores vai a Brasília (DF) nos próximos dias. Querem apoio do presidente do Senado, o alagoano Renan Calheiros (PMDB), e do presidente da Câmara, o pernambucano Severino Cavalcanti (PP) para tentar, junto à Presidência da República, frear os processos de execução de dívidas e leilão de fazendas não só em Alagoas, mas também em todo o Nordeste. As execuções e venda de fazendas são o grande fantasma do produtor rural nordestino, alerta Faustino Rocha. Em sua edição do último domingo, a Gazeta publicou reportagem intitulada Dívidas levam 300 fazendas a leilão, onde mostrava o abandono de fazendas e o drama de produtores como Nelson Bezerra, de Batalha. Ele contraiu em 1996 financiamento de R$ 34 mil. Em 2005, seu débito atingiu R$ 105 mil.