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Alagoanos relatam emoção de ver papa

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Carla Serqueira Repórter As crianças que recepcionaram João Paulo II na Igreja Virgem dos Pobres jamais esqueceram o dia 19 de outubro de 1991, quando receberam das mãos do papa, a bênção de Deus. Para alguns, aquele momento ficará para sempre guardado na memória; para outros, o encontro com o papa representou um caminho de vida. Foi o caso de Jeferson José Souza, na época com 10 anos e hoje com 24. Entre as cento e cinqüenta crianças que aguardavam a chegada da papa na Igreja Virgem dos Pobres, estava Jeferson que, segundo a irmã Josefa Umbelina dos Santos, era um dos melhores alunos da catequese. Todas as vezes que eu precisava deixar a paróquia com alguém, era com ele que eu deixava. De acordo com a sua avó, Maria José da Conceição, de 72 anos, Jeferson sempre se interessou pela Igreja Católica. Toda vida ele teve a tendência de ser padre. Com três anos, levei o Jeferson para o Juazeiro pela primeira vez e quando ele voltou, chegou dizendo que iria ser padre. Um dia eu cheguei para ele e perguntei: meu filho, você quer mesmo ser padre? Aí ele disse: quero, vó, lembrou dona Maria, orgulhosa. Hoje, Jeferson é diácono de uma paróquia franciscana, em São Paulo, perto de Aparecida do Norte. O encontro que ele teve com o papa, quando criança, fez ele ter certeza de que queria mesmo seguir a carreira religiosa, afirmou Maria José, orgulhosa do neto. Guarda suíço Um dos meninos que recebeu o papa, vestido de guarda suíço, foi Gustavo Alves Filgueira, hoje com 27 anos e fisioterapeuta. Fui escolhido pela comissão que organizou a passagem do papa por Alagoas e fiquei muito feliz, relatou Gustavo. Para ele, receber a bênção de João Paulo II foi um dos melhores presentes que recebeu. Fiquei tremendo de ansiedade, revelou. Segundo Gustavo, quando o papa esceu do papamóvel caminhou em direção dele. Ele achou a roupa que eu estava vestindo interessante, disse alguma coisa em outra língua, e saiu na companhia de dom Edvaldo Amaral, lembrou. O idioma a que Gustavo se refere é o italiano. Segundo dom Edvaldo, o papa João Paulo II ficou impressionado com o capricho das vestes das crianças. Ele olhou para o garoto e disse: ?Eu tenho uma roupa igual a sua?. Gustavo não conseguiu entender. O que o fisioterapeuta Gustavo Alves não esqueceu foi a sensação de paz que experimentou enquanto recebia a bênção do papa. Ele realmente tem uma aura especial. Não sei como explicar a emoção que senti, mas jamais irei esquecer, contou. A irmã Josefa, que na época foi a responsável por organizar a recepção para o papa na Igreja Virgem dos Pobres, lembrou do feito de uma criança, após ser abençoada por João Paulo II. Uma criança que ele abraçou e beijou ficou muito emocionada. Chegou em casa mostrando para a mãe o lugar que o papa tinha beijado e por três dias ela não lavou mais o rosto. Como todo mundo, a irmã Josefa, dom Edvaldo Amaral e o padre Celso Alípio esperam que o próximo papa dê continuidade ao trabalho de direitos humanos que vinha sendo feito por João Paulo II. Agora vamos rezar para que um papa semelhante, com tamanha humildade e carisma, seja o escolhido. Igual, não haverá outro, disse a irmã. ### Missa do 7º dia será no Papódromo Felipe Farias A programação alusiva às homenagens fúnebres ao papa João Paulo II, em Maceió, serão concentradas na celebração solene da missa do sétimo dia, marcada para a próxima sexta-feira, dia 8, no Palanque Monumental do Dique Estrada, conhecido popularmente como Papódromo. A programação será definida em conjunto entre a Igreja Católica, por meio do Arcebispado de Maceió, e o governo do Estado, informou ontem o arcebispo da capital, d. José Carlos Melo. O governador Ronaldo Lessa, também em anúncio oficial referente ao falecimento do sumo pontífice, informou que o Palanque Monumental, construído especialmente para a visita de João Paulo II a Alagoas, em outubro de 1991, vai receber seu nome a partir de agora. Segundo o arcebispo, está marcada para hoje uma audiência dele com o governador, para definir os detalhes da celebração, que está prevista para começar às 18h. Nos causou contentamento o anúncio dessa homenagem já era de nosso interesse dar um caráter mais popular à celebração da missa do sétimo dia. E, com certeza, a celebração naquele local, que une a lembrança do papa que se foi ao povo que representa a Igreja que ele chefiou, vai ser adequado a nossa expectativa, disse o arcebispo. O anúnciou foi feito em entrevista coletiva concedida pelo arcebispo na sede do Seminário Arquidiocesano, no Farol. D. José Carlos estava ladeado por um painel com fotografias do pontificado de João Paulo II: das viagens que fez à imagem da convalescença de uma das cirurgias a que se submeteu após o atentado de maio de 1981. Do outro lado, havia uma foto oficial distribuída pelo Vaticano, tendo num dos lados uma estola preta. O paramento usado pelos celebrantes, sobre a batina, primeiramente indica o poder do qual é investido o sacerdote e possui cores variadas para indicar o período litúrgico a que se refere o ritual que ele preside. Segundo o arcebispo, a estola de cor preta, que simboliza o luto, já havia algum tempo tinha sido substituída pela de cor roxa - usada, por exemplo, no período da Quaresma e na Semana Santa. Ainda assim, é considerada a mais apropriada por referir-se ao momento singular para a Igreja Católica que é o da morte de um pontífice. SUCESSÃO Segundo D. José Carlos, não há nenhum critério pré-estabelecido, ou prévia orientação, da Igreja Católica no Brasil sobre o perfil do novo papa. O que há são apenas especulações sobre como deveria ser ou de onde deveria ser o cardeal escolhido. Aliás, é bom que se diga que, pelo Direito Canônico, qualquer pessoa pode ser eleita papa e para isso não é preciso nem ser padre. Mas é preciso ser alguém que represente a resposta de Deus ao mundo e à humanidade. A meu ver, os cardeais têm que ter a sensibilidade de ver que não pode haver interrupção no trabalho que o papa João Paulo II realizou.

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