Cidades
Centro de Maceió não terá mais camelôs
Felipe Farias Repórter A transferência dos camelôs para a região da Praça dos Palmares - para conclusão das obras de recuperação do calçadão do Comércio - é uma etapa para remoção definitiva dos ambulantes do trecho do Centro, cogita a própria entidade que os representa. Estamos prevendo que vai haver uma ?limpeza geral? que não vai poupar nem quem está licenciado. Estamos vendo que a atual administração não vai tolerar nossa presença como a prefeitura anterior, disse Laerson Lira, presidente da Associação dos Camelôs de Alagoas. O superintendente municipal de Controle do Convívio Urbano, Ednaldo Afonso de Melo, admite que o grande projeto do Centro não prevê a permanência dos camelôs no calçadão. SEM SAÍDA Esperamos contar com a compreensão deles, mas não há outro caminho, resumiu Melo. Ele acrescentou, porém, que a conclusão do projeto inclui a reforma do prédio da Central de Abastecimento (Ceasa) para abrigar um shopping de ambulantes, cujo principal atrativo seria ter também a estação de transbordo das linhas que vêm de fora do Centro, que o tornaria um local visitado, muito freqüentado e que faria aumentar o fluxo de vendas dos ambulantes, como em outras cidades. Segundo ele, a permanência nos locais cedidos pela Prefeitura - estacionamentos na região da Praça dos Palmares - deve se estender até a conclusão do projeto, por cerca de mais um ano ou um ano e meio. Apinhados Desde que a Prefeitura anunciou a transferência dos que trabalham no Calçadão, aumentou a concentração deles no trecho da Rua do Comércio que vai da sede do antigo Produban até a Praça dos Palmares. As calçadas, de ambos os lados da rua, estão apinhadas de tabuleiros e prateleiras. A associação admite que esse grupo é formado por ambulantes que tentaram se antecipar aos projetos do município, para garantir um espaço que se tornaria depois definitivo. Está havendo especulação da parte dos próprios camelôs, porque a prioridade da Prefeitura é para os 192 que são licenciados. Quem vende em ?canto de parede? ou ?na mão?, está tentando se incluir de qualquer jeito, mas não deve ter falsas esperanças, advertiu Lira. Licenciados são os regulamentados, que pagam à Prefeitura e à Associação dos Ambulantes. ### Categoria promete resistir à saída As propostas de transferência dos ambulantes, por causa do projeto de reforma no Calçadão do Comércio, acirraram as discussões entre a direção da entidade que os representa e a prefeitura. Nós já alertamos: ?Não façam algo por imposição. Se quiser se livrar do camelô, simplesmente, a prefeitura vai comprar um problema, advertiu Laerson Lira, líder da categoria. De acordo com a direção da Associação dos Camelôs, além dos 192 licenciados, que operam em bancas cedidas pelo próprio poder público em pleno Calçadão, existem mais duas categorias de ambulantes que reúnem cerca de 1.500 vendedores. Um total de 400 tem o chamado aval, ou seja, não são licenciados, mas podem atuar sem ser perseguidos. Mas, além deles, há outros 1.047 que são cadastrados. Estes, a rigor, não possuem os mesmos direitos dos demais. O cadastro é apenas um censo, que mostra quantos são, informa Laerson. acirramento Ele diz que a Prefeitura de Maceió tem sido intransigente, mas que a atual administração é ainda menos tolerante com o segmento que representa. Se o camelódromo não der certo, pode ter certeza de que o camelô não vai ficar lá. Porque antes de eu ou você nascermos, já havia camelôs, e o que importa é a sobrevivência: ele vai correr da fiscalização ou vender na entrada do Calçadão, avisou. Lira diz que chega a usar uma imagem dramática para ilustrar essa capacidade de resistência da categoria. Costumo dizer que só há três saídas: construir um camelódromo que dê certo; arrumar emprego para todo mundo, que eu sei que é utopia, ou botar todos no paredão e fuzilar. Mas nenhuma das três será colocada em prática no Brasil, admite. E adverte que a remoção indiscriminada não surtirá efeito. Eu disse para o prefeito [Cícero Almeida] que ele e até eu temos poder para mantê-los fora do Calçadão, mas não temos poder para forçá-los a ficar onde eles não queiram. Ele diz que a proposta de transferência provisória para um estacionamento na Rua Cicinato Pinto foi rejeitada porque o local é fechado. Permanência temporária Por meio de sua assessoria, o prefeito Cícero Almeida informou que a permanência dos ambulantes na Praça dos Palmares é temporária e que não há temor de saída definitiva: Empresários e alternativos terão seu espaço, disse. Mas, segundo o dirigente da SMCCU, Ednaldo Marques, não tem outro caminho que não a retirada deles do calçadão. A remoção deve ocorrer somente em um ano, pelo menos; prazo para conclusão da reforma do prédio que hoje abriga a Ceasa, onde seria o camelódromo. A não retirada, aliás, pode prejudicar o município porque os recursos estão sendo repassados com essa condição. O projeto do Centro não os prevê lá. |FF