Cidades
Canal dos Mamões vira laboratório
Carla Serqueira Repórter A preocupação com a degradação ambiental em Marechal Deodoro chegou às escolas da rede pública de ensino. Das 32 unidades do município, 11 estão envolvidas em projetos de educação ambiental, que têm o objetivo de recuperar áreas devastadas e multiplicar o conhecimento entre os moradores da região. No Canal dos Mamões, que corta a Barra Nova, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Santa Rita, vinte estudantes receberam, ontem, a primeira aula do curso de agente ambiental. O manguezal que margeia o canal vem sofrendo com a carga de lixo que recebe diariamente, conseqüência da ocupação desordenada da APA. O Canal dos Mamões é fundamental para a drenagem de toda a Ilha de Santa Rita e os moradores não têm conhecimento disso, afirmou o secretário de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, Redson Cavalcante. Cursando o segundo ano do ensino médio, Ana Fabrícia, 18, ficou impressionada com o estado do canal. Nunca tinha visto uma cena dessas, revelou, consciente de que deve repassar as informações que recebeu para outras pessoas. A maior parte do lixo jogado nos rios, canais e lagoas vem das mesmas pessoas que habitam o lugar, observou. Na avaliação de Rosineide Lima dos Santos, 12, estudante da 8ª série, a aula serviu de alerta. A natureza que a gente vê hoje, um dia pode não ser vista mais. E aqueles que ainda não nasceram podem não viver esta maravilha. A coordenadora de projetos ambientais da Secretaria de Educação de Marechal Deodoro, Lúcia Marques, avaliou a importância de os estudantes verificarem a situação atual da APA de Santa Rita. Eles já estão vendo o que é a natureza violentada e os meios possíveis para a recuperação dela. A partir daí, os alunos começarão a entender a importância de denunciar este tipo de violência ao Ministério Público. O biólogo Cláudio Melo, que ministrou a aula no Canal dos Mamões, explicou a necessidade de uma ação imediata. Esta área já está muito degradada por conta da ação desordenada do homem. O canal, do jeito que está, não serve mais para berçário de espécies, nem para o desenvolvimento da vegetação, disse, acrescentando que a fauna também é prejudicada. Ainda temos quatis e sagüis na região, e eles precisam da flora para se alimentar. O curso de agente ambiental tem o término previsto para o dia 5 de junho, Dia Internacional do Meio Ambiente. Os estudantes, além das aulas de campo, vão ter também aulas teóricas para conhecerem a legislação ambiental, afirmou Redson Cavalcante. O secretário adiantou que na terça-feira, 12, na procuradoria de Marechal, haverá uma reunião entre o Ministério Público, o Instituto do Meio Ambiente e a prefeitura do município para planejar ações de recuperação da ilha. A procuradora Maria Aparecida notificou quatro propriedades e diz que, se for preciso, vai entrar com ação penal para resguardar a natureza.