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Crianças do Bolsa-Escola voltam às ruas

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O atraso no repasse dos recursos do governo federal para programas sociais como o de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), está aumentando o número de crianças trabalhando nas ruas de Maceió. Famílias pobres, que mantêm filhos na escola, há dois meses não recebem a ajuda de R$ 45, repassada pelo município como parte do Bolsa-Escola, e estão colocando crianças e adolescentes de volta às ruas, para trabalhar. Só na capital, são 2.500 crianças cadastradas no Peti. Apesar de estar matriculado regularmente na 2ª série do ensino fundamental, Jefferson Carlos da Silva, 12, passa a maior parte do dia vendendo feijão no semáforo do cruzamento das avenidas Tomaz Espíndola e Antônio Brandão, no Farol. Ele diz que, sem a ajuda do Bolsa-Escola, é obrigado a vender feijão de corda - três saquinhos por cinco reais - nas ruas de Maceió para ajudar no sustento da família. Por volta do meio-dia de ontem, ele circulava no meio dos veículos com três saquinhos de feijão, acompanhado de outros meninos e meninas. Eu fico aqui até de noite e o que ganho passo tudo para a minha mãe, disse Jefferson. Protestos O atraso no repasse dos recursos pelo governo federal também foi o motivo de um protesto de monitores do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, ontem de manhã, em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social. Os monitores da jornada ampliada do Peti reclamam que estão há dois meses sem receber os salários que variam de R$ 300 a R$ 700, dependendo da função. ### Atraso atinge Bolsa-Família, Vale-Gás, Peti e Bolsa-Escola O professor Aderaldo Ribeiro disse que a maioria dos monitores continua trabalhando, mas muitos estão deixando de comparecer aos núcleos do Peti porque sequer têm dinheiro para a passagem de ônibus. Há dois anos atuando como monitor do programa, ele diz que geralmente no início e final do ano ocorre atraso no pagamento dos monitores. Mas este ano a situação é ainda pior, diz. O psicólogo Roberto Nobre, que atua há apenas cinco meses como monitor, diz que muitas crianças voltaram às ruas porque os pais também não estão recebendo a ajuda do programa. Segundo ele, em alguns municípios, mesmo sem o repasse dos recursos federais, a própria prefeitura está bancando o pagamento dos monitores. atraso geral Uma comissão de monitores se reuniu com a secretária municipal de Assistência Social, Ivone Torres. Ela alegou que a demora no pagamento se devia atraso do repasse de recursos pelo governo federal. Ivone Torres explicou que desde janeiro o governo federal não repassa recursos para os programas sociais. Não é só o Peti que está em atraso, mas programas como o Bolsa-Escola, Bolsa-Família, Vale-Gás e PAIF [ Programa de Apoio Integrado à Família]. A secretária informou que só este ano o município conseguiu atingir a meta estabelecida pelo Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) de atender 2.500 crianças no Peti. Antes de nós assumirmos, eram apenas 1.700. O programa tem hoje125 monitores, número que, segundo Ivone, ainda é pequeno pelo percentual estipulado pelo MDS. Deveria ser um monitor para cada 30 crianças, hoje temos um para cada 60 crianças. AMEAÇAS Ivone Torres disse que vai propor à Prefeitura que assuma a manutenção do Peti, enquanto o governo federal não faz o repasse dos recursos. Mas ela acha muito difícil que a prefeitura tenha condições de assumir esse encargo financeiro. Só para o Bolsa Família são gastos R$ 2 milhões. A secretária reconhece que o atraso nos repasses está prejudicando a execução dos programas, especialmente o Peti. A primeira ameaça que os pais fazem quando há atraso no pagamento dos programas é colocar os filhos de volta nas ruas, para ajudar no sustento. |FAS

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