Cidades
Protesto denuncia falta de camisinhas e medicamentos
Fátima Almeida Repórter Profissionais do sexo, homossexuais e simpatizantes marcaram, ontem, sua participação nas atividades alusivas ao Dia Mundial de Saúde com uma passeata de protesto contra a falta de preservativos para distribuição na rede pública e em defesa de mecanismos que impeçam o desperdício de medicamentos, como ocorre em Alagoas, inclusive itens do tratamento de Aids, que são comprados a custos muito altos, fora do País. A Gazeta de Alagoas trouxe o tema à tona, no final do mês de março, e mostrou que, entre vários outros medicamentos prestes a vencer, lotes de Dianosina, droga que integra o coquetel antiaids, que chega a custar R$ 2.500 a caixa, estavam empilhados no Laboratório Industrial Farmacêutico (Lifal), com o prazo de validade vencido, e prontos para ser incinerados. Tem que haver uma política que evite esse tipo de situação. Não se concebe a perda de medicamentos no Lifal enquanto eles faltam para tratamento dos doentes, destacou Igor Nascimento, coordenador do Forum de Organizações Não-Governamentais (ONGs) de Combate à Aids. O pior, denunciou ele durante o protesto, é que não aparecem os culpados. Ficam num jogo de empurra em que o culpado é a burocracia, um poder sem nome, que não responde pela situação, diz Igor Nascimento. O ativista Junior Daniel Farias destacou a necessidade de ações, por parte do governo federal, para assegurar a produção de medicamentos a custos menores. Houve a quebra de patente no governo passado, mas um número cada vez maior de drogas vai aparecendo e se impondo no mercado. São medicamentos caros, comprados fora do País. É preciso que o governo federal quebre novas patentes para reduzir os custos para todos que precisam desses remédios., destacou Daniel Farias. Preservativos Os manifestantes denunciam o aumento dos riscos de contaminação, por causa da baixa na oferta de preservativos. Antes, cada entidade recebia, por mês, cerca de 8 mil camisinhas. Hoje estamos recebendo uma caixa com 144 preservativos. Não dá para dez pessoas. Isso significa que as pessoas estão muito mais expostas aos riscos de contrair doenças sexualmente, denuncia Daniel Farias. A passeata saiu da Praça Sinimbu até a Secretaria de Saúde, em Jaraguá. Os manifestantes queriam ser recebidos pela secretária Kátia Born, mas ela estava viajando. A coordenadora estadual do Programa de DST-Aids, Fátima Rodrigues, informou que o Ministério da Saúde está mandando um lote de 300 mil camisinhas.