Cidades
Alagoas diz adeus ao papa com orações
Felipe Farias Repórter Uma faixa com a última mensagem que o papa João Paulo II teria deixado para os católicos foi uma das muitas homenagens dos alagoanos expressas durante a celebração da Missa do Sétimo Dia, ontem à noite, no Palanque Monumental, que será no futuro denominado de memorial. Eu fui ao encontro de todos; hoje, vocês vêm ao meu encontro e eu estou me encontrando com Deus, estava escrito na faixa afixada na grade externa de acesso ao pátio do espaço construído para a visita do sumo pontífice a Alagoas, em 1991. Ao fundo, na estrutura mestra por trás do altar, um imenso cartaz com as imagens do papa orando trazia os dizeres: O rosário é minha oração predileta. Integrantes de diversas ordens religiosas compareceram usando seus paramentos, como os Arautos do Evangelho. Muitas faixas registravam a presença de fiéis do interior, trazendo o nome de suas cidades. santificação Duas delas, porém, chamavam a atenção. Seguradas por pessoas que subiram nos bancos de concreto do centro do pátio, diziam: Que João Paulo II seja santo imediatamente, e vinham assinadas pelo Movimento Folcolares e Movimento GEN - jovens da mesma entidade. Esse movimento é mundial, disse Antônio Júnior, coordenador local da entidade que reúne leigos católicos e foi fundada na década de 40. ### Público abaixo do esperado, admite PM Mesmo sendo um ritual religioso, a missa em intenção de João Paulo em Alagoas II foi também uma cerimônia oficial e uma manifestação popular e de fé, um momento singular e sem paralelo em outras reuniões semelhantes. Prova disso, curiosamente, veio da própria organização do policiamento. A PM admitiu, ainda quando seus comandantes preparavam o plano de atuação da tropa, que não era possível definir efetivo escalado nem previsão de público. Afinal, não era procissão da padroeira ou uma reunião da Semana Santa. Por isso, se preparou para o máximo de público possível, prevendo o comparecimento de até 20 mil fiéis, e mobilizou cinco batalhões, da Cavalaria ao Batalhão de Policiamento Escolar. De acordo com o tenente-coronel PM Marcos Antônio Correia dos Santos, responsável pela segurança, a estimativa era de um público de cerca de 15 mil a 20 mil pessoas na missa, para a qual foram mobilizados 180 PMs. Na verdade, esse é um policiamento que consideramos relativamente fácil, porque não existem contendas. As pessoas vêm com espírito religioso. O cuidado, para os responsáveis pela segurança, não estava, portanto, no evento em si, mas na dispersão, admitiu o oficial. Era quando, segundo ele, podiam ocorrer as abordagens de assaltantes aos fiéis que deixavam a missa. Para isso os PMs receberam orientação especial. O trânsito nas duas pistas foi interrompido e na área externa havia muitos PMs. Como parte da estrutura para receber os fiéis, foram montadas duas baterias de banheiros químicos no pátio interno. comércio Mas, como é comum em eventos dessa natureza, mesmo de cunho religioso, foi intenso o comércio por todo o Palanque Monumental. Chamava a atenção o número de cartões-postais com imagens do papa João Paulo II. O fotógrafo Emerson Carvalho disse que confeccionou cem cartões-portais, e em questão de meia hora já vendera 20, num movimento que considerava bom. Havia dois modelos: um trazia uma imagem de 2002, em que o papa aparentava saudável, tendo ao lado a cúpula da Basílica de São Pedro. Essas imagens eu tirei de revistas, mas a montagem foi minha, disse, orgulhoso. O segundo, mostrava o corpo do santo padre, durante a visita de fiéis, em Roma. Esse eu tirei da Internet. Dá para perceber, porque a definição é menor, mostrou. Cada um era vendido a R$ 3,00. Se o freguês comprasse dois, Emerson fazia por R$ 5,00. A professora Marleide da Silva Costa comprou a foto do papa ainda vivo. Pechinchou e conseguiu que ficasse por R$ 2,00. Eu vou guardar de lembrança, disse, admitindo que iria comprar outro, para a família, se o preço baixar.|FF