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Porta de escola, área sem leis de trânsito

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Regina Carvalho Repórter Certas atitudes, como o uso indiscriminado da buzina, são resultado da falta de consciência coletiva. A afirmação da diretora do Colégio Santa Madalena Sofia, Irmã Sandra Maria, é o reflexo do caos no trânsito, mais especificamente nas proximidades das escolas particulares mais caras de Maceió. Nos horários de chegada e saída dos alunos nos colégios, filas duplas e até triplas são formadas, principalmente nas vias mais movimentadas dos bairros nobres da capital. Enquanto isso, pais buzinam para que seus filhos saiam logo. Muitas vezes a espera é longa, o suficiente para irritar motoristas que aguardam ansiosos que o trânsito volte a fluir normalmente. Alguns pais admitem que estão errados, mas não acenam com a possibilidade de mudar de percurso ou mesmo parar o veículo mais distante das escolas, para facilitar a vida dos condutores que são obrigados a enfrentar congestionamentos. É muito complicado chegar aqui nesse horário. O ideal seria um local adequado para acomodar os carros. Sei que devo estar errado parando aqui, admitiu o dentista Adeilson de Azevedo, que esperava os dois filhos na frente do Colégio Madalena Sofia, no bairro do Farol. Transporte escolar Não são apenas os veículos de pequeno porte que complicam o trânsito em Maceió. Vans que fazem o transporte escolar param, literalmente, no meio da rua à espera dos alunos. Sem a fiscalização de guardas de trânsito, as irregularidades seguem sem nenhuma punição. A ausência de estacionamentos, a exemplo do que ocorre numa escola do Farol, obriga pais de alunos e funcionários a ocuparem parte da rua. Quando não existem mais vagas de um lado, entra em cena o jeitinho brasileiro. Daí a solução encontrada é também ocupar o outro lado, estreitando ainda mais a via. É um inferno isso aqui. Principalmente nesse horário, reclamou um taxista, que preferiu não se identificar. Ele aguardava pacientemente dois adolescentes na frente do Colégio Santa Madalena Sofia, por volta do meio-dia. Contrataram meu táxi para fazer esse serviço, mas é muito complicado enfrentar esse trânsito. Todo mundo tem culpa, acrescentou. Congestionamentos Para a comerciante Cineide da Silva, que busca seus filhos apenas duas vezes por semana numa escola particular do Farol, o engarrafamento é inevitável. O transporte escolar vem buscar meus filhos mais vezes que eu, mas quando venho, percebo que a situação aqui é complicadíssima. Um estacionamento seria ideal, pois essa rua é muito estreita, comentou. As buzinas são usadas indiscriminadamente por pais ou responsáveis pelos alunos, e acabam também sendo um recurso utilizado por aqueles que esperam na fila. ### Imprudência é maior nas áreas ricas O barulho ensurdecedor das buzinas parece não incomodar mais os motoristas, que acabam também apelando para o mesmo recurso, tentando apressar os veículos que pararam no meio da rua para que os estudantes entrem nos automóveis. A funcionária pública federal Maria José Lopes admite que está errada quando pára seu veículo no meio da rua. Todos os dias venho buscar minha filha. Como sei qual é a situação, ligo para ela antes e marco na porta do colégio. Aviso para que ela não demore. Sei que é irregular, mas é o jeito, ressaltou a funcionária pública, que tem a filha estudando no Madalena Sofia. De acordo com ela, todos contribuem para a situação caótica do trânsito em Maceió. Na Rua Dr. Zamenhof, no Farol, fica localizado um dos colégios mais requisitados por famílias com maior poder aquisitivo. Na via, uma placa indica a permissão somente para embarque e desembarque de passageiros, mas a determinação não é respeitada. A rua, que já é estreita, acaba comprometendo o fluxo de veículos. A Gazeta de Alagoas percorreu vários trechos de acesso a escolas particulares de Maceió, localizadas no Farol e na Ponta Verde, áreas consideradas nobres de Maceió. Nelas a situação era bem parecida: pais imprudentes, motoristas apressados e trânsito lento. Uma combinação nada agradável que compõe o cenário de vários bairros com maior fluxo de veículos, principalmente de segunda à sexta-feira. Ponta Verde A situação de condutores de veículos que precisam ter acesso a ruas próximas a um colégio particular no bairro da Ponta Verde, especialmente no horário do meio-dia, é cada vez mais complicada. Muitos pais que vão pegar seus filhos dão um exemplo de falta de educação no trânsito, estacionando em local proibido, buzinando de forma descontrolada e ainda impedindo que outros veículos trafeguem normalmente pela via. Os automóveis que param em frente a um colégio particular da Ponta Verde, localizado na rua Senador Rui Palmeira, são, na maioria, de último tipo. Os condutores dos veículos que paravam em frente ao colégio no bairro da Ponta Verde sequer baixaram os vidros, mas acionaram indiscriminadamente a buzina que acaba comprometendo o silêncio dentro das salas de aula. É o jeito, não temos outra opção, disse, de forma arrogante, o condutor de um veículo Pajero, que não quis se identificar. Abordado pela Gazeta, outro condutor de veículo baixou o vidro rapidamente e acenou apenas que não queria falar sobre o assunto. Estacionamento André Albuquerque, proprietário de uma van que faz transporte escolar, ocupou com seu veículo a faixa da direita de uma rua movimentada na Ponta Verde. Na esquerda, a gente não pode estacionar. Quando chego aqui e a faixa da direita está ocupada, dou uma volta no quarteirão até que ela desocupe, disse ele, lamentando o fato de parte da rua virar estacionamento. São os pais dos alunos que fazem isso, completou. Com a ocupação do estacionamento somente por funcionários do Colégio Inei, na Ponta Verde, as faixas de embarque e desembarque de passageiros acabam servindo também para os pais dos alunos estacionarem seus veículos. Irregularidades Com a ausência de guardas de trânsito nas proximidades dos colégios particulares de Maceió, segue uma sucessão de irregularidades cometidas por condutores de veículos, na maioria pais que buscam seus filhos nas unidades escolares. A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) conta com um efetivo de 90 guardas de trânsito para cobrir toda a capital. Nenhum deles, segundo informação da diretoria operacional do órgão, faz o trabalho nas imediações das escolas de Maceió. Temos um projeto que contemplaria exatamente essas escolas e está tramitando na SMTT, informou Cristiano Dorta, responsável pela diretoria operacional da SMTT. Entretanto, o projeto intitulado Amigos do Trânsito ainda não saiu do papel. Sobre a quantidade de guardas de trânsito, considerada ainda pequena para cobrir todo o município de Maceió, Cristiano Dorta disse que o efetivo era menor, com cerca de 60 homens. Sabemos que precisamos de mais homens, afirmou. RC ### Escolas fazem campanha, mas não evitam infrações A direção de uma escola particular na Ponta Verde reconhece o problema. Por isso, colocou faixas de orientação para pais condutores, onde explica quais locais não devem ser ocupados pelos veículos e a necessidade de manter a via livre. A iniciativa parece ter sido em vão. Todos os dias, os mesmos problemas ocorrem e as irregularidades cometidas seguem sem qualquer tipo de punição. A gente fica sem saber o que fazer. Já fizemos trabalhos de conscientização mas não surtiram efeito. Temos mais um projeto de educação no trânsito que ainda será colocado em prática, lamentou Cybelle Souza, funcionária de escola no bairro da Ponta Verde. Código alerta O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) alerta para uma série de irregularidades que não devem ser cometidas por condutores de veículos e que se enquadram nos casos flagrados pela Gazeta nas proximidades de escolas particulares de Maceió. Segundo o CTB, no capítulo III, artigo 26, das normas gerais de circulação e conduta, os usuários das vias terrestres devem abster-se de obstruir o trânsito ou toná-lo perigoso. O uso de buzina nessas áreas somente é permitido para advertências necessárias a fim de evitar acidentes ou fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo. Campanhas Aurélio dos Anjos, diretor de ensino de uma escola particular na Ponta Verde, disse que, várias vezes, a direção do colégio realizou campanhas educativas para conscientizar os pais de alunos. Mas tudo foi em vão. Também fizemos reuniões alertando os pais sobre o problema. Sabemos que eles acabam fazendo procedimentos no trânsito que transgridem as normas, acrescentou o professor. Segundo ele, a direção da escola já solicitou a presença de guardas de trânsito várias vezes, mas o pedido nunca foi atendido. Alguns pais acabam estacionando e bloqueando a entrada do local destinado aos veículos dos funcionários. Também acabamos presenciando a ocupação, pelos pais, da rampa de acesso a portadores de deficiência. Já tentamos de várias formas, mas não temos como resolver esse problema, admitiu. RC ### É preciso respeitar o coletivo, diz diretora A diretora do Colégio Madalena Sofia, Irmã Sandra Maria, disse que reconhece o caos que se tornou o trânsito nas proximidades da escola, mas confessa que nunca conversou com pais de alunos sobre o problema. Temos consciência do problema, mas a situação era bem pior, disse. A direção da escola informou que se reuniu com a SMTT e pediu providências para melhorar o trânsito no local. Nós nos reunimos com a SMTT, que promoveu uma inversão no trânsito e acabou melhorando a situação. O que tinha que ser feito, já foi feito, enfatizou a Irmã Sandra. Agilidade Segundo ela, o que falta é uma maior conscientização por parte dos condutores de veículos e dos próprios pais de alunos, que deveriam agilizar a entrada e saída das crianças da escola. A diretora citou como exemplo de imprudência o fato de pais e condutores de veículos acionarem a buzina indiscriminadamente. É uma questão de consciência mesmo. É preciso respeitar o coletivo, acrescentou. Faixas A diretoria do Colégio Inei não descartou a possibilidade de realizar novas campanhas educativas, para sensibilizar pais sobre o problema do trânsito. Enquanto isso, faixas na frente da escola orientam pais de alunos e outros condutores para evitarem o estacionamento em locais irregulares. Um dos diretores da escola enfatiza que o colégio tem se esforçado no intuito de esclarecer a importância de manter a via livre. |RC

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