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Pontes corroídas por maresia estão sem manutenção

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Carla Serqueira Repórter Corrosão, placas de sustentação barulhentas, bases trincadas e falta de manutenção. Essas foram algumas das constatações observadas pela Gazeta, ao percorrer as principais pontes da capital, junto com os especialistas Daniel de Almeida, professor de Engenharia de Agrimensura da Universidade Federal de Alagoas (Ufal); e David Costa, engenheiro civil e aluno do mestrado em Estruturas da Ufal. Ao todo, quatro pontes foram visitadas: duas em Cruz das Almas e as pontes do Reginaldo e do Salgadinho. Em algumas, o efeito da corrosão, provocado pela maresia, já começa a dar sinais, esperando manutenção. A corrosão é lenta, mas progressiva, alertou Daniel de Almeida. A ponte sobre o Vale do Reginaldo, construída há mais de trinta anos, dá acesso à parte baixa da cidade e é a mais movimentada de Maceió. Milhares de carros passam diariamente pelo local, mas só quem se aventura a descer a grota pode ver o perigo que esconde. Apesar do tempo, restos da construção ainda continuam na estrutura, colocando em risco a vida de quem mora embaixo da ponte. Há dois anos, uma viga de madeira caiu em um dos barracos e quase deixa vítimas fatais. Nada, até agora, foi feito. Outras vigas, que estão quase despencando, continuam ameaçando as casas. A centenária ponte sobre o riacho Salgadinho é a que mais preocupa a Superintendência Municipal de Obras e Urbanização (Somurb). Segundo o órgão, a estrutura recebeu a última manutenção em meados da década de 80. Há oito anos, uma ampliação foi feita em sua estrutura. Hoje, a parte antiga da ponte, construída em arcos, está com pedaços corroídos pelo mar. Após as análises, o diagnóstico de Daniel de Almeida e de David Costa apontou para a necessidade de vistorias periódicas. Se a prefeitura estivesse fazendo vistorias, as rachaduras já poderiam ter sido consertadas. É como uma doença: se não for tratada, a recuperação pode ser mais difícil, afirmou Daniel de Almeida. ### Ponte é ameaça a barracos do Reginaldo Desde a sua execução, há mais de 30 anos, a ponte sobre o vale do Reginaldo, perto da rodoviária de Maceió, possui em sua estrutura restos da construção. Vigas de madeira, que na década de 70 serviram para acomodar o concreto, ainda estão penduradas na parte inferior da via, ameaçando cair, colocando em risco a vida de famílias que moram embaixo da ponte. Essas vigas não têm serventia nenhuma. A prefeitura tem que vir tirar estas madeiras, antes que caiam em um barraco desses, frisou o professor Daniel de Almeida, da Ufal. Apesar do tempo desde que foi construída, a ponte do Reginaldo nunca recebeu manutenção. Pelo menos que eu lembre, não, afirmou o diretor da Superintendência Municipal de Obras Urbanas (Somurb), Fernando Henrique Miranda, dizendo que o órgão ainda não teve tempo. Estou há três meses no cargo. Estamos programando vistorias para todas as pontes, disse, sem apresentar um cronograma. Risco de morte Vera Lúcia dos Santos tem 31 anos e há três mora embaixo da ponte. Ela confessa que tem medo de uma viga atingir a sua casa. Tem um pedaço de pau que está quase caindo. Tenho medo que caia quando eu estiver dormindo, disse Vera. Maria José dos Santos Silva tem 28 anos e vive de catar latinhas e papelão nas praias. Em 2003, um pedaço de madeira se soltou da ponte e atingiu sua casa, ferindo um dos seus cinco filhos. Era uma tarde de final de ano. Estava dormindo. Escutei um baque e a poeira tomou conta da casa, contou, lembrando do susto que levou. Se tivesse pego em algum filho meu, tinha matado. Na época, Jackson dos Santos tinha 4 anos e foi ferido por pedaços de telha. Segundo Maria José, ninguém foi lá resolver o problema. Os bombeiros vieram, mas só levaram a madeira, não mexeram na ponte. Na visão do professor Daniel de Almeida, em primeira instância, a ponte não está comprometida, mas precisa de cuidados, avisou, chamando a atenção para a vegetação que se alastra nas juntas de dilatação. A penetração da raiz conduz a umidade entre os poros do concreto, alcançando a armadura metálica, o que pode levar, amanhã ou depois, à formação de corrosão, diminuindo a vida útil da ponte, observou. CS ### Prefeitura admite mau estado de pontes A Avenida da Paz passa pela ponte do Salgadinho, já perto de Jaraguá. Inaugurada há mais de cem anos, a estrutura recebeu sua última manutenção na década de 80. Há oito anos, a ponte foi ampliada. Hoje, a velha estrutura apresenta problemas. Na avaliação do professor Daniel de Almeida, a parte antiga da ponte, construída em arcos, tem partes corroídas pela maresia. A corrosão está avançada e parte da estrutura metálica, comprometida, afirmou. Além do mais, em alguns pontos, a base da cortina de contenção do aterro está destruída, examinou o professor, explicando que as cortinas evitam o deslizamento da encosta, preservando a pista.Se a barreira cair, é formado um buraco que pode acabar atingindo a rodovia, avisa ele. Segundo o professor, a ponte trabalha com esforço máximo - 45 toneladas. A prefeitura precisa trabalhar na recuperação da estrutura e apresentar algumas medidas de proteção para a ponte, advertiu. Daniel de Almeida chamou atenção para o perigo de adiar a manutenção. A corrosão é lenta, mas ao mesmo tempo é progressiva e, à proporção que ela vai evoluindo, vai enfraquecendo a estrutura, o que pode acarretar o tombamento da ponte, impossibilitando o trânsito. Segundo ele, a importância da ponte exige uma manutenção preventiva, para evitar problemas maiores. O diretor de obras da Somurb, Fernando Henrique Miranda, reconheceu a necessidade de recuperação da ponte. Vamos entrar com um pedido de licitação para viabilizar a manutenção da ponte, prometeu. Águas de Ferro A ponte sobre o Riacho Águas de Ferro, na Praia da Cruz das Almas, recebeu sua última manutenção em 2003. O trabalho foi acompanhado por David Almeida, que na época fazia um estudo de casos para elaboração de sua monografia sobre materiais utilizados na recuperação estrutural de obras. Hoje, David é estudante do mestrado em Estruturas e faz, após dois anos, uma avaliação do estado da ponte. Pelo que vejo, nenhuma manutenção voltou a ser feita, disse, apontando algumas rachaduras em sua estrutura. A ponte, segundo ele, estava completamente ameaçada pela corrosão. Não tinha um pedaço de aço que não estivesse comprometido. Tanto os transeuntes como os veículos corriam risco na área, afirmou. O mestrando alerta para a necessidade de revisões contínuas por parte dos órgãos públicos. Além de zelar pela segurança dos usuários, os problemas na ponte seriam detectados em sua fase inicial, o que não aconteceu em 2003, quando a prefeitura teve que fazer uma manutenção generalizada e muito mais cara, afirmou. Segundo ele, na maioria das vezes o poder público só se move quando o problema é crítico. E quem paga mais caro é sempre o povo, já que sai do nosso bolso a verba para recuperar estas obras, disse. Outra coisa: se fosse feito acompanhamento, haveria subsídios científicos para estudar o fenômeno e pensar numa forma mais eficiente de evitar que o problema se alastre e se torne de difícil solução, alertou David Costa. Ainda em Cruz das Almas, a ponte que dá acesso ao norte de Maceió, próxima à Ladeira do Óleo, apresenta, na avaliação do professor Daniel de Almeida, condições melhores que a primeira. Esta ponte está mais protegida da maresia, afirmou. Segundo ele, a maresia é rica em sulfato e cloreto. Placas barulhentas Henrique Miranda informou que a equipe da Somurb sempre faz vistorias nas obras da cidade. É um trabalho rotineiro, disse, apesar de confessar não ter conhecimento sobre as vigas que ameaçam os moradores do Vale do Reginaldo. Não sei da existência dessas vigas. A única reclamação que a Somurb recebeu, segundo ele, foi referente ao incômodo que os motoristas sentem quando cruzam a ponte, por causa da má conservação das placas que cobrem as juntas de desidratação - espaços que separam os blocos de concreto que formam a ponte. O diretor explicou que as placas estão quebradas por causa do peso dos veículos. Elas [as placas] foram colocadas na gestão passada. Já estamos programando a substituição, afirmou. CS

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