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Ambulantes dizem que projeto para o Centro é imposição

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Felipe Farias Repórter Em reunião com o prefeito de Maceió, Cícero Almeida, o presidente da Associação dos Camelôs, Laerson Lira, diz ter alertado para fato de que projeto de recuperação do Centro, incluindo a remoção do camelôs, não pode ser imposto sem considerar necessidades dos ambulantes, como, segundo Lira, vem sendo feito. O segundo vice-presidente da Associação Comercial de Maceió (ACM), uma das entidades que representam os empresários do setor, Marcos Vital, diz que não acredita no terrorismo da suposta ameaça de incêndio, mas concorda que os ambulantes não podem ser jogados à própria sorte. Não acredito nesse tipo de extremismo porque confio na liderança do Laerson [Lira]. Mas temos consciência também de que os camelôs têm de ir para um lugar em que possam comercializar suas mercadorias em boas condições, em que possam vender. Segundo Vital, se colocados a esmo, eles vão enfrentar dificuldades para vender seus produtos. E na dificuldade, vão acabar voltando para o Centro. Segundo Vital, o ideal é que fosse seguido o cronograma original de implantação do projeto de recuperação do Centro. SHOPPING POPULAR Por esse projeto, depois que a Central de Abastecimento (Ceasa) fosse transferida para o Tabuleiro, o prédio onde funciona atualmente, na Levada, seria reformado e passaria a abrigar o Mercado da Produção. No prédio deste último, por sua vez, seria instalado o shopping popular destinado aos camelôs, onde seria instalada uma estação de transbordo de ônibus urbanos, com terminais interbairros, e acesso direto à area onde estariam concentrados os camelôs. Mas ele admite que, na impossibilidade de executar o projeto original, o paliativo é promover a remoção temporária para estacionamentos da região e, depois, para o shopping da Levada. Depois de reformado, ele poderia abrigar não apenas os que estão licenciados, mas, muito provavelmente todos os que hoje atuam no Centro, afirma Laerson Lira, representante dos ambulantes. O impasse está no fato de os ambulantes não aceitarem as opções apresentadas pela Prefeitura para esse abrigo temporário e tampouco o afastamento do Centro em caráter definitivo, mesmo com a promessa de ter um shopping no terminal. Não temos escolha: precisamos encontrar um lugar que possa abrigar os ambulantes para que as obras possam ser concluídas. Está impraticável concluir até essa etapa com o Comércio todo ocupado, diz Marcos Vital. Para ele, a recuperação do Centro trará repercussão positiva para todos que atuam na região, incluindo os ambulantes. ### Ambulantes vivem situações diferentes Um problema para a própria categoria, no entanto, é que eles oficialmente são classificados de modo diferente. Do total, apenas 192 estão licenciados, ou seja: os que são considerados mais regularizados. Esses têm autorização para atuar dentro do Calçadão, área considerada privilegiada para os vendedores de rua: não sofrem repressão dos fiscais da Prefeitura e são padronizados. Para isso, pagam uma taxa à associação à qual estão vinculados, e ao município. Logo depois estão os que a entidade define como aqueles que possuem apenas um aval para trabalhar. Não pagam taxas nem são padronizados. Mas podem vender dentro da mesma área nobre e mesmo não sendo associados, estão sob a proteção da entidade, que lhes garante, segundo o presidente, não ser molestados em operações de fiscalização. Nesse grupo estão cerca de 400 vendedores, segundo a associação. Eles trabalham com seus tabuleiros na mão ou vendem em canto de parede, em qualquer espaço ainda não ocupado. cadastrados No último degrau dessa escala estão os cadastrados, que somariam nada menos de 1.047 ambulantes. São aqueles que, na prática, não possuem nenhum dos benefícios das categorias anteriores. Na verdade, o cadastro foi uma espécie de censo que realizamos para definir o universo de vendedores que trabalham no Centro, explica Laerson. Um dos problemas da atual proposta de remoção defendida pela Prefeitura, segundo a Associação, é que a discussão em torno de possíveis lugares para abrigá-los em caráter temporário, e a indefinição sobre um que agrade aos ambulantes - o que está atrasando a remoção - acabou por provocar uma corrida que mistura os ambulantes de categorias diferentes. Todos estão querendo aproveitar esse momento, para se incluir no projeto de qualquer jeito. Mas, é preciso que saibam que apenas os que são cadastrados é que terão prioridade. Os demais não devem ter falsas esperanças. E temos esclarecido isso para eles, diz Laerson.|FF ### Resistência contra argumentos técnicos A associação que representa os vendedores ambulantes diz que há uma série de impasses que estão dificultando a remoção dos camelôs para facilitar a conclusão do projeto de recuperação do Centro, como quer a Prefeitura. A gente reivindica apenas mais objetividade, diz Laerson Lira, presidente da entidade. Os impasses incluiriam a definição dos benefícios que a nova área oferece e uma espécie de contrapartida para estimular os ambulantes a se mudar e garantir que as vendas não cairiam. Disseram que a nova área poderia ter banheiro. Vai ter mesmo? Quantos? Prometeram portas para dar segurança. Vai ter? E a mídia? Vai ser em que veículo de comunicação? Sim, porque sair do Centro representa um risco muito grande, cobra Lira. Para o representante da Associação Comercial de Maceió, Marcos Vital, a recuperação do Centro trará repercussão positiva para todos que atuam na região, incluindo os ambulantes. O que não pode é o empresário, que paga impostos e que está lutando para a recuperação de uma região importante da cidade, acabar penalizado por esses impasses. Já está difícil vender. Se a região não possuir nenhum atrativo, ficará cada vez pior, reivindica. Os críticos da posição dos camelôs dizem haver excesso de exigências dos ambulantes para se acomodar em caráter definitivo. eternas propostas Segundo Laerte Lira, já foram feitas várias propostas para remoção, lembrando que antes da Ceasa, a proposta de shopping era na Praça da Independência, em frente ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Apenas alguns se acomodaram lá e, no fim, a proposta não vingou. Agora, o lugar que deverá abrigá-los é bem maior e, ainda assim, há previsão de que a demanda pode superar a oferta de vagas. TEM QUE SAIR O superintendente da Secretaria Municipal de Convivência Urbana (SMCCU), Ednaldo Afonso Marques de Melo, confirmou que a remoção é inevitável e faz parte do projeto de recuperação. O projeto do Centro não prevê a permanência dos camelôs. Esperamos contar com a compreensão deles porque não há outro caminho. Para ele, a remoção imediata é uma das exigências até mesmo para a liberação de recursos para o projeto, uma vez que, segundo Melo, as verbas estão condicionadas a um determinado projeto para a região, que não prevê a permanência dos vendedores de rua. Os recursos só serão liberados se respeitarmos esses critérios, assegura. E chega a convocar os envolvidos na questão para formar uma caravana com o objetivo de conhecer iniciativas que deram certo em cidades vizinhas, como Aracaju (SE). Entendemos que trata-se de um processo difícil, porque são anos de ocupação. Sabemos também que é uma questão que possui um componente político, mas se a avaliarmos sob a ótica rigorosamente técnica, veremos que não há como os camelôs permanecerem no Centro. Cadê os consumidores? A solução apontada é a recuperação do prédio onde está a Central de Abastecimento (Ceasa), na Levada, para ser convertida numa espécie de shopping que reuniria todos os ambulantes que hoje vendem no centro, agregada a um terminal de transbordo, que concentraria as linhas de ônibus que vêm de todos os bairros de Maceió. O argumento da Prefeitura é de que o terminal garantiria fluxo permanente de consumidores em potencial e a reforma daria condições bem mais atraentes de venda do que as dos locais improvisados disponíveis hoje. Mas, o próprio presidente da associação dos camelôs duvida que o projeto venha a se consumar como previsto. Ao ilustrar a forma como encara a questão, Lira diz ironizar as três soluções possíveis para o impasse: A primeira seria dar emprego para todo mundo, que nós sabemos ser uma utopia. A segunda é sair o camelódromo como está sendo proposto. E, por fim, uma outra alternativa é colocar todos os camelôs no paredão e fuzilar. Nenhuma das três é o tipo de proposta que vira realidade no Brasil - principalmente a última; já que, graças a Deus, no Brasil vivemos uma democracia, afirma Lira. sem alternativas Diante da falta de alternativas , ele diz que o jeito é todo mundo aprender a conviver com os camelôs. O prefeito Cícero Almeida disse esta semana, por meio de sua assessoria, que os camelôs não teriam motivo para temer pela remoção, que é temporária. Na próxima semana, outros rounds deverão ocorrer, na queda-de-braço entre os ambulantes doCentro, comércio e a prefeitura. Consenso continua sendo uma palavra ainda muito longe entre as partes envolvidas. |FF

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