Cidades
Cratera engole 5 casas, uma escola e ameaça conjunto
Fátima Almeida Repórter Uma cratera de aproximadamente 30 metros de profundidade, que se alarga a cada período chuvoso, assusta os moradores do conjunto Morada dos Palmares, no Tabuleiro do Martins. O problema é antigo. Pessoas que moram no local há mais de 20 anos viram o buraco crescer e se alastrar. Ao longo do tempo, a erosão já destruiu uma escola e pelo menos cinco casas, e continua ameaçando outras moradias, num perigo crescente de desabamento. Há poucos meses, um novo estrondo acordou os moradores. Parte do quintal de algumas casas deslizou morro abaixo, arrastando inclusive a vegetação plantada por eles para tentar conter a erosão. Já plantei cana, bambu e fruteiras. Quase tudo já desceu. O que cai nesse buraco desaparece, diz a dona de casa Maria de Lourdes Nascimento. Atualmente, o limite entre a casa de Lourdes e o precipício é um muro que ela começou a construir e ainda não terminou. Mesmo assim, ela diz que não tem medo. Está nas mãos de Deus, e sei que Ele não vai permitir que a nossa casa desabe, diz Lourdes, olhando para a capela de Nossa Senhora de Fátima, também ameaçada, do outro lado da rua. SEM SOLUÇÃO De acordo com a moradora Clotilde Barroso, residente no local há cerca de 30 anos, a escola do conjunto, construída há mais de 10 anos, nem chegou a ser inaugurada. Estava pronta para funcionar e chegou a servir de abrigo para vítimas das chuvas, mas logo depois foi engolida pela erosão, antes mesmo de as aulas serem iniciadas. No mesmo trecho, pedaços de cerâmica indicam que outras construções tiveram o mesmo fim. Segundo o aposentado Eufrásio Rocha, vários documentos já foram encaminhados aos órgãos municipais, pedindo solução, mas nada foi feito. Tem que ser construído um muro de contenção, como o que foi feito na cratera do Benedito Bentes. Isso tem que ser imediato, antes que aconteça uma tragédia, alerta o líder comunitário Aldo Avelino. A Superintendência Municipal de Obras e Urbanização (Somurb) solicitou da equipe técnica a elaboração de um diagnóstico para saber quais as soluções viáveis. Segundo o superintendente adjunto, Clécio Falcão, ontem mesmo a equipe esteve no local. É um problema antigo que vem se agravando. Precisamos de dados técnicos sobre o que deve ser feito e os custos, disse ele. Ele não arrisca prazos enquanto o diagnóstico não estiver pronto, mas afirma que, se a solução técnica mais recomendável estiver acima das possibilidades do município, a Somurb deve adotar uma forma paliativa de redução dos riscos.