Cidades
Maceió pede segurança e saneamento
Felipe Farias Repórter A Gazeta foi ontem às ruas de Maceió conferir, com moradores e setores econômicos e de classe, o resultado da pesquisa do Gape, divulgada no domingo (10), que apontou para um índice geral de aprovação, nos primeiros 100 dias do governo Cícero Almeida, que chegou a 62,25%. Segurança pública não está entre os serviços públicos cuja oferta está diretamente sob a obrigação do município, a exemplo de educação básica, saúde, transportes e gestão do trânsito, que são definidos como municipalizados. Mas os especialistas da área argumentam que, apesar de não ter essa atribuição diretamente, o município tem influência sobre o setor de várias maneiras. Se uma praça ou avenida é mal iluminada, por exemplo, deverá tornar-se foco de assaltos; vias mal pavimentadas dificultam ações da polícia em resposta às denúncias de ocorrência. Conclusões A Gazeta ouviu operadores da área e representantes de segmentos que se definem como mais expostos aos assaltos, como casas lotéricas e postos de combustíveis. As conclusões foram variadas, de positivas a negativas, incluindo também as que avaliam ser prematuro efetuar tal julgamento. Polícia O diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, reconhece que a Prefeitura não tem atribuição direta sobre a questão, mas diz ter sentido evolução nos itens que estão sob sua responsabilidade, como iluminação pública e pavimentação das vias de acesso a conjuntos. Ainda assim, como parte integrante da segurança pública do Estado como um todo, temos de reconhecer também que ainda é muito cedo para fazer uma avaliação mais aprofundada da gestão do atual prefeito sob o ponto de vista da segurança. ### Segurança: tema mais falado entre os setores O diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, diz que um dos serviços a ser oferecidos pelo município é o lazer. Esperamos que se leve em conta a importância de quadras de esportes, que afastam os adolescentes da marginalização, alertou. Postos O presidente do sindicato que representa os donos de postos, Mário Jorge Uchoa, avalia que os cem dias da gestão atual são melhores que os da anterior. Melhorou a presença da Guarda Municipal, mas ainda nos ressentimos da falta de policiamento ostencisivo. O presidente da Associação dos Camelôs, Laerson Lira, diz que as reivindicações da categoria se referem mais às regiões em que moram do que ao Centro, que estaria mais bem servido. Mas, como representante de uma categoria, tenho de reconhecer que cem dias é um período ainda curto para se cobrar alguma coisa. O vice-presidente do Sindicato dos Lotéricos, Isaías de Holanda, diz que a presença do município nessa área é nula. Só em algumas regiões, como Jaraguá e na praia, vemos a presença da Guarda Municipal. Iluminação foi o item mais cobrado pelos taxistas, avaliou o sindicato. ### A longa espera pelo saneamento básico Fábia Assumpção A cozinheira Josefa Juvêncio de Lima, 46, mora na Nova Vila (antiga Vila Brejal), no Bom Parto, há 21 anos. Ao longo desse tempo, vários governos se passaram, mas quase nenhum se preocupou em investir no saneamento básico do lugar. Periferia de Maceió, os moradores da Nova Vila convivem com esgotos a céu aberto, ficando sujeitos a vários tipos de doenças. A falta de saneamento foi apontada pela população, numa pesquisa feita pelo Gape, divulgada domingo na GAZETA, como um dos principais problemas a ser enfrentados pelo prefeito Cícero Almeida nos próximos quatro anos. Orçamento O secretário municipal de Habitação e Saneamento, Nilton Nascimento, disse que nas administrações passadas, apesar da denominação da secretaria, a questão do saneamento era sempre deixada de lado. Ele afirma que, daqui para a frente, será dada uma maior atenção ao problema. Pelo menos, um plano de trabalho para projetos de saneamento está sendo encaminhado ao Ministério das Cidades. Só que esses projetos só deverão ser executados no próximo ano. Até porque a execução desses projetos passa pela questão orçamentária. Nascimento ressalta, no entanto, que cabe ao Estado a execução de projetos de saneamento, por meio da Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento de Alagoas (Casal). Mas, de acordo com Nascimento, a prefeitura vai dar sua contribuição para sanear cidade. Esgotos A falta de saneamento traz sérias conseqüências, principalmente para a saúde dos moradores. Na Vila Nova, no Bom Parto, os esgotos atraem ratos, moscas, escorpiões e baratas. As crianças são as maiores vítimas dessa situação: muitas apresentam problemas de pele porque passam a maior parte do tempo em contato com a lama. A falta de água agrava ainda mais a situação. A cozinheira Josefa Juvêncio passa o dia recolhendo água em baldes, bem próximo ao esgoto. Como falta água dentro de casa, ela tratava uma galinha ontem de manhã próxima aos esgotos. Eu penso em fazer a fossa de minha casa na calçada, mas há sempre a promessa de que a rua vai ser calçada e saneada, e por isso não quero perder dinheiro fazendo a fossa na calçada. Promessas Aliás, de promessas os moradores da Vila Nova já estão cansados. Mesmo assim, Josefa não perde a esperança de que o atual prefeito concretize as promessas que não foram cumpridas pelas administrações passadas. Eu não quero cobrar dele, em tão pouco tempo, o que os outros passaram anos e nunca fizeram. ### Prefeitura tenta diminuir filas na Saúde Não é só a falta de saneamento que afeta as famílias de baixa renda em Maceió. A saúde também foi apontada como um dos itens que devem merecer a atenção especial do prefeito Cícero Almeida. Nos primeiros cem dias de governo, algumas medidas foram adotadas pelo novo secretário municipal de Saúde, o médico João Macário, para melhorar o sistema. Mas o próprio titular reconheceu, em várias entrevistas, que muita coisa ainda precisa ser feita. Para quem necessita dos serviços públicos, é mais do que urgente melhorar o atendimento nos postos de saúde. O aposentado José Petrúcio do Nascimento foi ontem ao maior posto de saúde de Maceió, o PAM Salgadinho, no Poço. Há dois meses, ele tenta marcar uma consulta com um cardiologista, mas não consegue. Enquanto o tão esperado momento de ser examinado pelo médico não ocorre, sua saúde definha a cada dia. Mas o quadro caótico da saúde já começa a dar sinais de mudança. Pelo menos é o que atesta a auxiliar de enfermagem Maria José Carlos. Ela foi ontem de manhã ao PAM Salgadinho para marcar exames para o marido, que é diabético, confirmados para o dia 20 deste mês. Ao contrário de outras vezes, mesmo chegando quase às 10 horas da manhã de ontem ao posto, Maria José não precisou enfrentar uma fila quilométrica. O atendimento está melhorando, mas é preciso melhorar ainda mais, disse. Em Maceió, funcionam hoje 59 postos de saúde. Na maioria das vezes, quem precisa marcar consulta tem que enfrentar longas filas e varar a madrugada nas ruas para conseguir uma ficha. Além disso, são constantes as denúncias de falta de medicamentos e até de médicos. Não bastasse, é grande a demanda de pessoas da prória capital em busca de serviços nos postos, onde existe uma grande procura de pacientes de outros municípios. O diretor do PAM Salgadinho, Vanilo Soares, disse que 50% dos atendimentos no posto são de pessoas do interior. Segundo Vanilo, se nos municípios tivessem estruturados programas como de hipertensão e diabetes , isso já desafogaria o atendimento no PAM Salgadinho. Vanilo disse que, mesmo ainda enfrentando muitos problemas, é possível garantir um serviço de melhor qualidade à população. Um exemplo disso foi a redução das longas filas de pessoas que se formavam em busca de marcação de consultas e exames. A direção do posto trabalha agora para modernizar o sistema de pré-agendamento de consultas e exames, para acabar definitivamente com as filas. Medicamentos As constantes faltas de medicamentos no posto tiveram um início de solução. Só de Capitropil - um dos remédios mais utilizados no controle da pressão alta - foram adquiridos dois milhões de comprimidos pela Secretaria Municipal de Saúde. E mais 100 mil comprimidos de metilfomina, utilizado para o tratamento de diabetes.