Cidades
Lixo ameaça poluir Rio dos Remédios e a Mundaú
Bleine Oliveira Repórter Desde 1999, o advogado José Guardiano Lima tenta impedir a degradação de uma área de quase 60 hectares, de sua propriedade, onde está situado um dos últimos mananciais de água potável do Estado. Na área, localizada na zona rural do município de Coqueiro Seco, está uma das últimas reservas de água doce que pode vir a ser utilizada para abastecer a população de Maceió. Mas a reserva pode sofrer um dano irrecuperável, alerta o proprietário, que já decidiu recorrer ao Ministério Público para impedir que a prefeitura de Coqueiro Seco continue despejando ali todo o lixo da cidade. A prefeita do município, Nilza Correia, já foi notificada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA-AL) graças à representação impetrada por José Guardiano. Técnicos do instituto comprovaram a denúncia e o dano ambiental ao curso d?água do Rio dos Remédios, que passa na fazenda Riacho da Barra. O relatório do IMA diz que os resíduos sólidos ficam a céu aberto, favorecendo a proliferação de vetores biológicos transmissores de doenças, e que a infiltração de chorume (líquido decorrente da decomposição do lixo) pode atingir lençóis de águas subterrâneas e superficiais. Revolta Apesar da representação, que foi encaminhada também ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), a prefeitura continua desrespeitando as normais ambientais. Revoltado com o prejuízo à sua propriedade, extensivo a dezenas de pequenos agricultores que vivem do plantio de mandioca, o advogado José Guardiano decidiu denunciar a Prefeitura ao Ministério Público. Seu objetivo é impedir que o lixo da cidade continue a ser depositado no local e que a prefeitura, além de investir na recuperação da área degradada, pague uma indenização pelos prejuízos que ele está enfrentando. Na denúncia ao MP, o advogado vai anexar cópia do relatório do IMA e fotos que revelam a presença de crianças entre os catadores de lixo que atuam na área. Além da degradação ambiental, o que está ocorrendo é um desrepeito - reclama José Guardiano.