Cidades
Protesto em Maceió contra governo Lula
Regina Carvalho Fátima Almeida Repórteres Maceió foi cenário, ontem, de movimentos de paralisação de vários segmentos dos funcionários públicos do governo federal. De repartições até o aeroporto Zumbi dos Palmares, a paralisação foi promovida por servidores de órgãos federais como o INSS, Ministério da Saúde, Funasa e Infraero. Vestidos de preto e com nariz de palhaço, funcionários da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) paralisaram, ontem, as atividades do setor administrativo no aeroporto Zumbi dos Palmares. Essa é uma paralisação parcial, um indicativo de greve, que pode persistir caso nossas reivindicações não sejam atendidas, destacou Patrícia Gomes, membro do sindicato dos aeroportuários. A paralisação ocorreu simultaneamente na maioria dos aeroportos do País e foi um protesto contra a possível privatização da Infraero. Além disso, estamos exigindo a contratação dos concursados. Esperamos desde maio do ano passado uma posição da Infraero, que ainda não se pronunciou, disse Patrícia. Com a iniciativa, setores destinados ao atendimento ao cliente, importação, exportação e serviços externos como manutenção e infra-estrutura, foram prejudicados com a paralisação. O sindicato informou que espera o pronunciamento da Infraero até o final do mês. Caso isso não aconteça, serviços essenciais podem ser paralisados, prejudicando os vôos. Durante toda a tarde de ontem, os manifestantes entregaram panfletos no aeroporto e pediram apoio de mais servidores para aderirem ao protesto. INSS As pessoas que procuraram, ontem, os serviços do INSS em Maceió deram com as portas fechadas por causa da paralisação de dois dias deflagrada pelos servidores públicos federais. A doméstica Maria Madalena de Souza, vinda de Flexeiras, com um bebê de três meses nos braços, tentava resolver uma questão referente à pensão do filho mais velho. Vai ter que voltar em outra ocasião. Já venho lutando há quatro anos para resolver esse problema. Um dia a mais não vai fazer diferença, conformou-se ela. Saúde e DRT A paralisação de dois dias, deflagrada pelos servidores públicos federais, suspendeu as atividades nos postos da previdência e atingiu, parcialmente, o escritório local do Ministério da Saúde. De acordo com o comando de mobilização do Sindicato dos Previdenciários de Alagoas (Sindprev), hoje a paralisação fecha também a Delegacia Regional do Trabalho (DRT), e não está descartada a possibilidade de greve por tempo indeterminado nos próximos dias. A principal reivindicação dos servidores é que o processo de negociação salarial seja aberto pelo governo federal. Eles querem garantir a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos e melhores condições de trabalho. A categoria rechaça a proposta de 0,01% encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional, porque ela é ridícula, destaca Cícero Lourenço, presidente do Sindprev. Eles reivindicam também a estruturação da carreira para os servidores e querem discutir a reestruturação do serviço, com o preenchimento, por concurso público, das vagas que ficaram em aberto ao longo dos anos, por causa das aposentadorias, o que constitui, segundo avaliação do movimento, a principal causa das filas e deficiências no atendimento ao público.