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Cópia fácil é concorrente até de pirata

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FELIPE FARIAS Repórter As mudanças impostas pela tecnologia que disseminou CDs e DVDs piratas começam a transformar o próprio mercado de discos de procedência duvidosa: as bancas maiores não vendem mais CDs porque a procura caiu. Agora só querem DVD, diz Fabiana de Lima, que trabalha há seis meses numa das barracas da Rua Barão de Anadia, no Centro de Maceió. A mesma facilidade que movimenta o mercado em que ela sobrevive começa a concorrer com seu negócio. Ou seja: ninguém mais compra CD porque pode copiar em casa, da mesma forma que, antes, tinha deixado de comprar em lojas por ser mais barato com ambulantes como Fabiana. A pirataria movimenta o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo a Socinpro, entidade que defende a propriedade intelectual. E o que foi apreendido somente em São Paulo, em três anos, valia 34,4 milhões de dólares. As dez mais A facilidade de acesso aos piratas é cheia de exemplos que beiram o absurdo, como o fato de um dos títulos estar disponível nas calçadas de Maceió um dia antes de seu lançamento nacional oficial. Ou como no diálogo da reportagem com Fabiana sobre o que teria no estoque. Tudo, respondeu, taxativa. Indagada sobre o que seria tudo, não deixou por menos: É tudo-tudo. Com base nisso, a Gazeta de Alagoas foi às ruas para fazer uma classificação: se há best sellers entre livros, músicas e bilheterias, por que não fazer uma espécie de dez mais dos piratas? ### Variedade é um dos atrativos de pirateiros De gospel a rock; de lançamentos a pérolas de colecionador, o comércio de CDs e DVDs piratas não tem limites - tem o fôlego de uma megaindústria, a ponto de ostentar o filme Os Incríveis, desenho sobre uma família de super-heróis, antes mesmo de chegar à loja de uma grande rede, situada na mesma calçada. Exemplo da facilidade de acesso aos piratas foi a segurança de um camelô da Rua Barão de Anadia, ao responder sobre seu estoque. O que você quiser a gente tem. Se não tiver, encomenda, garantiu, com uma simplicidade que chega a desconcertar - o que, para um comerciante com anos de balcão, seria o máximo do orgulho como fornecedor. Afinal, além do tabuleiro da barraca e da grade de um prédio abandonado, o estoque ocupava ainda quase todo o volume de uma caixa de papelão do tamanho de um aparelho de TV. montar discos A falta de regras e qualidade faz com que os pirateiros, como se definem, possam levar ao pé da letra a expressão ao gosto do cliente. Exemplo disso é um DVD da Xuxa à venda esta semana numa das barracas. Na capa, havia a reprodução de nada menos que cinco discos da rainha dos baixinhos: Circo e as edições 1, 2, 3 e 4 do Só para baixinhos. Estão todos num DVD só, respondeu o pirateiro. Prato cheio para pais que só querem descansar deixando seus baixinhos diante da hipnótica e interminável seqüência cinco discos comprimidos num só. Cuidado só ao dividir por tipo: filmes, de um lado; shows bregas, aqui, reggae acolá. Mas a venda fácil exige não ter de passar troco nem contar dinheiro: por isso, o comum é num estoque de 300 títulos encontrar todos com um preço só: R$ 10,00, quer tenham esse valor ou não. O contador desempregado Antônio de Pádua Lima se confessa um aficionado por piratas, dos quais compra de três a quatro por semana. Eu prefiro shows. Filme, você assiste uma vez, está bom. Como a maioria dos clientes, Pádua é atraído pelo preço. Ele conta que o cúmulo da disparidade viu na compra do DVD de Julio Iglesias Live in Jerusalem. Eu vi na loja por R$ 63,00; aqui encontrei por R$ 10,00, compara.|FF ### Pirateiros indicam os campeões Os DVDs piratas com shows de bandas de forró encabeçam a lista dos mais procurados. Entre os filmes, a preferência está nos lançamentos, mas se o comprador for nostálgico, também vai encontrar o que procura. Abaixo, alguns exemplos dos mais vendidos: shows O campeão é o DVD Cavaleiros do Forró ao vivo - o filme, seguida de E o Forró Gatinha Manhosa. Em 3º estava Companhia do Calypso - O furacão do Brasil, seguido de Magníficos (sem título) e do Calcinha Preta - o show que levou mais de 100 mil pessoas ao parque de exposições de Salvador, Limão com Mel (sem título) e Psirico em Terezina (assim mesmo, com z) e o Xuxa Apresenta 5 em 1. Só então vêm discos de outros gêneros musicais. Em 9º ficou Avril Lavigne e em 10º, empatados, Eminem e o Linkin Park. DICAS A pedido da reportagem da Gazeta, o vendedor Anderson Pimentel fez a relação de dicas de seu gênero favorito. Eu, pessoalmente, curto pop rock. Ah, vai ser moleza!. São elas (não necessariamente nessa ordem): Linkin Park, Pitty (Admirável vídeo novo), Avril Lavigne, Eminem (All access Europe), Evanescense (Anywhere but home), Charlie Brown Jr. (Acústico MTV), Detonautas (Detonautas Roque Clube) e Marcelo D2 (Acústico...). Antônio de Pádua também atendeu ao pedido e fez sua lista: Olga, O baú do Raul, Julio Iglesias Live in Jerusalem, Companhia do Calypso, Calypso de Edson Lima, Berg Rabelo e alguns do Queen, Elton John e Scorpions.FF ### Autores: a cada dez legítimos, 5 são piratas A Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Autorais (Socinpro) abre a página na Internet com um alerta: A pirataria é uma prática nociva que dará fim à cultura artística musical, literária, informática e científica, se continuar grassando no ritmo acelerado de hoje, prevê a entidade, que atua na defesa da propriedade intelectual desde 1962. Segundo ela, para cada dez CDs legítimos distribuídos no mercado, existem cinco piratas em circulação e outros tantos copiados pela Internet. A imprecisão numérica é mais uma mostra da gravidade da situação. A facilidade de acesso à rede mundial de computadores e a possibilidade de copiar em larga escala torna quase impossível estimar quantos produtos vindos daí estariam circulando. Segundo a Socinpro, a pirataria movimenta 6% do PIB do Brasil. Formiguinha O titular da Delegacia Fazendária (Delefaz) da Polícia Federal em Alagoas, Washington Luiz Santos, confirma que o combate aos discos piratas não é tão intenso quanto outras atividades da corporação, como o combate ao tráfico de drogas. Mas justifica que esse mercado ainda é considerado de pequena escala. O consumo não é tão grande quanto em outros centros e o mercado daqui não desperta o mesmo interesse. Ele diz que a PF mapeou pelo menos três locais onde se faz cópias em larga escala. É melhor agir aí do que sobre quem faz o trabalho de ?formiguinha?, vendendo na rua. |FF

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